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Brasil registra recorde de acidentes de trabalho em 2025, aponta estudo do MTE

Levantamento indica aumento após a pandemia, com mais de 6,4 milhões de ocorrências em dez anos e crescimento das mortes

(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou, nesta segunda-feira (28), data em que se celebra o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho, um estudo técnico que traça o panorama dos acidentes laborais no Brasil entre 2016 e 2025. Com base em dados do INSS e do eSocial, o levantamento contabiliza 6,4 milhões de acidentes, 27.486 mortes, além de mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos e cerca de 249 milhões de dias debitados, indicador que mede os impactos permanentes na vida dos trabalhadores.

Os números mais recentes mostram que 2025 registrou o maior volume da série histórica, com 806.011 acidentes e 3.644 mortes. O aumento ocorre após a queda observada em 2020, influenciada pela pandemia, e acompanha a retomada da economia e a expansão do emprego formal. Entre 2020 e 2025, os acidentes cresceram 65,8%, enquanto os óbitos aumentaram 60,8%.

Apesar da alta em números absolutos, o estudo aponta queda na taxa de incidência ao longo dos anos, de 29,39 para 17,94 acidentes por 100 mil trabalhadores. Segundo o MTE, esse movimento reflete o avanço da formalização do mercado de trabalho, que dilui o risco médio, embora não reduza o total de ocorrências. O cenário reforça a necessidade de ampliar políticas de prevenção e melhorar as condições de trabalho.

A análise por setor revela diferenças significativas. A área da saúde, especialmente hospitais e serviços de urgência, concentra o maior número de acidentes, com quase 633 mil registros. Já o transporte rodoviário de cargas lidera em número de mortes, com 2.601 óbitos, sendo considerado o segmento mais letal. Atividades como montagem industrial também se destacam pela alta taxa de incidência.

Entre as ocupações, técnicos de enfermagem aparecem no topo do ranking de acidentes, enquanto motoristas de caminhão concentram o maior número de mortes, foram 4.249 óbitos em dez anos, o que representa mais de uma morte por dia. O estudo também destaca fatores como acidentes de trajeto e episódios de violência em determinadas funções, como vigilância.

No recorte regional, São Paulo lidera em números absolutos, concentrando mais de um terço dos registros. Já estados como Mato Grosso, Tocantins e Maranhão apresentam maiores taxas de letalidade, indicando maior gravidade dos acidentes. O Mato Grosso reúne tanto alta incidência quanto elevado número de mortes, cenário associado a atividades como agronegócio, transporte e construção civil.

O levantamento também aponta mudanças no perfil dos acidentes ao longo da década. Os casos típicos seguem predominantes (64,6%), mas os acidentes de trajeto ganham espaço. As doenças ocupacionais tiveram aumento significativo em 2020, influenciadas pela pandemia. Outro destaque é o crescimento da participação feminina, que passou a representar 34,2% dos registros, com avanço de 48% no período, especialmente em áreas como saúde e serviços.

Elaborado por auditores-fiscais do Trabalho, o estudo reforça a importância de dados qualificados para orientar políticas públicas e ações de fiscalização. Para o diretor de Segurança e Saúde no Trabalho do MTE, Alexandre Scarpelli, os resultados indicam a necessidade de fortalecer a cultura de prevenção. “Os números mostram avanço na capacidade de registro e compreensão dos acidentes, mas também evidenciam a urgência de melhorar as condições de trabalho e reduzir riscos”, afirmou.

Principais destaques da série histórica

Após a pandemia, os acidentes cresceram 65,8% entre 2020 e 2025, passando de 486.303 para 806.011 registros, enquanto as mortes aumentaram 60,8% no mesmo período.

O ano de 2025 concentrou o maior número de acidentes e óbitos da série analisada.

A taxa de incidência caiu de 29,39 em 2016 para 17,94 em 2025, refletindo o aumento do emprego formal, embora o número absoluto de ocorrências tenha subido.

Em dez anos, mais de 106 milhões de dias de trabalho foram perdidos por acidentes, enquanto os dias debitados somam 248,8 milhões.

Entre 2022 e 2024, houve aumento expressivo de dias perdidos, superando a marca de 17 milhões por ano.

Os acidentes típicos representam 64,6% do total, seguidos pelos de trajeto (19,3%) e pelas doenças ocupacionais (2,8%), com pico destas últimas em 2020 devido à COVID-19.

A participação feminina nos registros cresceu de forma contínua, passando de 198 mil casos em 2016 para mais de 293 mil em 2025.

*Fonte: GOV