O aumento nos preços dos alimentos e dos combustíveis pressionou o custo de vida em abril e fez a prévia da inflação oficial encerrar o mês em 0,89%. O índice supera o registrado no mesmo período do ano anterior (0,44%) e é o maior desde fevereiro, quando havia alcançado 1,23%.
No acumulado de 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) chegou a 4,37%, acima dos 3,9% observados até março. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre os nove grupos pesquisados, alimentação e bebidas e transportes foram os principais responsáveis pela alta. O primeiro avançou 1,46%, com impacto de 0,31 ponto percentual, enquanto transportes subiu 1,34%, contribuindo com 0,27 ponto. Na sequência aparecem saúde e cuidados pessoais (0,93%), habitação (0,42%) e vestuário (0,76%).
Dentro do grupo alimentação, a maior pressão veio dos produtos consumidos em casa, que aceleraram de 1,10% em março para 1,77% em abril. Entre os itens com maiores altas estão cenoura (25,43%), cebola (16,54%), leite longa vida (16,33%), tomate (13,76%) e carnes (1,14%). Já a alimentação fora do domicílio registrou avanço de 0,70%, o dobro do observado no mês anterior.
Segundo o economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Felipe Queiroz, a elevação dos preços dos alimentos está ligada ao período de entressafra. “A menor produção de alguns itens, como o leite, tem pressionado os preços”, explica.
No grupo transportes, o destaque ficou por conta dos combustíveis, que subiram 6,06% no mês. A gasolina teve alta de 6,23% e foi o item que mais influenciou o índice, com impacto de 0,32 ponto percentual. O óleo diesel registrou aumento ainda mais expressivo, de 16%, contribuindo com 0,04 ponto.
O cenário internacional também contribuiu para a alta. O conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã tem afetado o mercado global de petróleo, especialmente devido às tensões no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde escoa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. A instabilidade reduz a oferta e pressiona os preços internacionais, refletindo diretamente no valor dos combustíveis no Brasil.
Mesmo sendo produtor de petróleo, o país sofre os efeitos dessas oscilações, já que os derivados são comercializados com base no mercado internacional. O governo federal tem adotado medidas para conter a alta, como isenções tributárias e subsídios, mas os impactos ainda são limitados.
De acordo com Queiroz, as ações adotadas ajudam a amenizar os efeitos, embora ainda de forma modesta. “São medidas importantes, mas com impacto ainda reduzido no curto prazo”, avalia.
O IPCA-15 segue a mesma metodologia do IPCA, índice oficial que baliza a meta de inflação do governo, fixada em 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Apesar da aceleração, o resultado permanece dentro desse intervalo.
A principal diferença entre os dois indicadores está no período de coleta. No caso do IPCA-15, os preços são levantados antes do fim do mês de referência, nesta divulgação, entre 18 de março e 15 de abril.
Os índices consideram uma cesta de produtos e serviços consumidos por famílias com renda de um a 40 salários mínimos. Atualmente, o salário mínimo é de R$ 1.621.
A coleta do IPCA-15 abrange 11 localidades, incluindo grandes regiões metropolitanas e capitais. Já o IPCA completo contempla 16 áreas. O resultado fechado da inflação de abril será divulgado no próximo dia 12 de maio.
*Fonte: Agência Brasil