Brasil · Crise nos transportes

Paralisação de empresas reduz circulação de ônibus em São Luís

Viações apontam falta de repasses da Prefeitura como motivo para suspensão temporária de parte das operações

(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

Parte da frota do transporte público de São Luís deixou de circular nos últimos dias após empresas que integram o Consórcio Via SL anunciarem a interrupção temporária de suas atividades. A medida envolve as viações Expresso Rei de França (antiga 1001) e Expresso Grapiúna, que alegam dificuldades financeiras provocadas pela ausência de repasses por parte da Prefeitura.

De acordo com o consórcio, a suspensão começou no dia 25 e foi oficializada após uma reunião interna entre as empresas. Segundo as viações, os subsídios referentes ao último trimestre de 2025 não foram quitados integralmente, o que teria comprometido a capacidade de manter a operação e ocasionado atrasos no pagamento de salários.

Em comunicado, o grupo informou ainda que a situação financeira foi agravada por descontos aplicados sobre gratuidades e serviços realizados por aplicativos, o que reduziu a arrecadação das empresas. Diante desse cenário, as viações afirmam que decidiram iniciar o processo de desligamento formal de funcionários, com o objetivo de reduzir impactos sociais e assegurar direitos trabalhistas.

A paralisação tem afetado diferentes regiões da capital maranhense, principalmente bairros como Cohatrac, Cidade Operária e áreas próximas, deixando milhares de passageiros sem transporte regular. Apesar disso, o consórcio afirma que a suspensão é temporária e que as atividades poderão ser retomadas assim que houver regularização dos repasses municipais.

Enquanto a situação não é resolvida, a Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos informou que algumas linhas passaram a operar em caráter emergencial com o apoio de outras empresas. O órgão destacou ainda que os subsídios estaduais estão sendo pagos normalmente e que avalia medidas para garantir a continuidade do serviço à população.

A crise ocorre pouco tempo após decisão do Tribunal de Justiça do Maranhão que responsabilizou o município e empresas do setor por falhas recorrentes no transporte coletivo, como atrasos frequentes, superlotação e condições inadequadas de veículos. A sentença prevê a adoção de melhorias no sistema e estabelece indenização por danos coletivos.