Um trabalhador que recebe salário mínimo em São Luís precisa comprometer uma parcela expressiva da renda mensal para garantir a alimentação básica.
Levantamento recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aponta que 42,02% do salário mínimo líquido é destinado à compra da cesta básica na capital maranhense.
O estudo também evidencia o esforço necessário para adquirir os itens essenciais. Em São Luís, são exigidas 85 horas e 30 minutos de trabalho por mês apenas para custear a alimentação básica.
Embora a capital não esteja entre as mais caras do país, o peso da alimentação segue sendo um desafio para a população, sobretudo quando somado a outras despesas fundamentais, como moradia, transporte e saúde.
No comparativo nacional, São Paulo lidera o ranking como a capital onde os trabalhadores mais precisam dedicar tempo para comprar alimentos: são 115 horas e 45 minutos mensais, com 56,88% da renda comprometida. Já Aracaju aparece na outra ponta, com 76 horas e 23 minutos de trabalho e 37,54% do salário direcionado à alimentação.
Considerando as 27 capitais brasileiras analisadas, o comprometimento médio da renda com a cesta básica foi de 46,13% em fevereiro. O cálculo leva em conta o salário mínimo já com desconto de 7,5% referente à contribuição previdenciária.
Outro dado relevante do Dieese é a estimativa do salário mínimo ideal para suprir todas as necessidades básicas de uma família, que deveria alcançar R$ 7.164,94 — mais de quatro vezes o valor atual.
Especialistas alertam que o alto custo dos alimentos reduz o poder de compra da população e impacta principalmente as famílias de baixa renda, que acabam destinando uma parcela cada vez maior do orçamento para despesas essenciais.