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Ibama endurece combate à captura e criação ilegal de aves

De acordo com dados do CETAS São Luís, em 2025 foram recebidos 2.293 animais silvestres, sendo 1.219 oriundos de resgates

Ibama endurece combate à captura e criação ilegal de aves

A morte de cerca de 350 periquitos em Lajeado Novo, na última semana, acendeu um alerta ambiental no Maranhão e reforçou a atuação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) contra a captura, o transporte e a criação ilegal de aves silvestres. O episódio, que envolveu uma ação de resgate após a queda de uma árvore usada como abrigo natural pelas aves, evidenciou não apenas a vulnerabilidade da fauna, mas também os riscos agravados pela interferência humana e o tráfico de animais.

No ano passado, Segundo o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do Ibama São Luís, foram recebidos 2.293 animais silvestres, sendo 1.219 oriundos de resgates. O órgão explica que os resgates são realizados principalmente por batalhões da Polícia Ambiental, Bombeiro Ambiental, unidades e companhias do Corpo de Bombeiros.

Entre os animais mais resgatados no Maranhão, a maior incidência é de répteis, como serpentes e jacarés. No caso das aves, aparecem com frequência: corujas e gaviões; passeriformes (como bigodinho e xexéu); psitacídeos (como araras e papagaios), geralmente associados a apreensões. O caso em Lajeado Novo reforça o desafio do atendimento à fauna no estado. Durante uma tempestade que atingiu uma árvore onde os animais estavam, centenas de periquitos morreram no momento da queda ou ficaram feridos. Moradores da região ajudaram no recolhimento inicial das aves, e o Núcleo de Gestão Integrada do ICMBio de Imperatriz foi acionado após o alerta de um médico-veterinário da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul).

Tempestade derruba árvore e mata mais de 350 periquitos (Foto: Divulgação)

Equipes técnicas conseguiram resgatar 32 periquitos com vida. Os animais receberam atendimento emergencial, incluindo hidratação e medicação, e depois foram transferidos para o CETAS do Ibama, em São Luís, onde passam por avaliação clínica e comportamental. A previsão é que, após recuperação completa, eles sejam reintroduzidos na natureza.

O Ibama ressalta que tragédias envolvendo fauna durante eventos climáticos extremos são de difícil mensuração, pois os animais também são surpreendidos por mudanças abruptas. Por serem eventos naturais imprevisíveis, não é possível afirmar se incidentes semelhantes ocorrerão novamente da mesma forma.

Ainda assim, o caso chama atenção para a importância do acionamento rápido de equipes especializadas e para a necessidade de conscientização da população sobre o risco legal e ambiental de recolher animais silvestres.

Crime ambiental

Apesar da comoção causada pela tragédia, o Ibama alerta que recolher animais silvestres e mantê-los em casa, mesmo com a justificativa de “cuidar”, pode configurar crime ambiental, dependendo da conduta.

Segundo o Ibama, a orientação é clara:

“Ao encontrar um animal silvestre ferido, a população não deve tentar criar ou tratar em casa, pois o contato inadequado pode agravar o estado clínico, causar estresse e até aumentar o risco de transmissão de doenças. Nesses casos, o recomendado é acionar órgãos capacitados, como batalhões ambientais e equipes especializadas”.

Assim, à reportagem, o Ibama reiterou que manter aves silvestres em cativeiro sem autorização é crime ambiental, previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98), com penalidades que incluem multas elevadas, apreensão dos animais e até detenção. A fiscalização tem sido intensificada, especialmente em regiões onde há histórico de captura e comércio ilegal. Além das sanções legais, o órgão ressalta que a retirada de aves do habitat natural provoca desequilíbrios ecológicos, compromete a reprodução das espécies e aumenta a mortalidade, seja pelo estresse, por maus-tratos ou por condições inadequadas de transporte e confinamento.

O Ibama destaca ainda que a manutenção irregular de aves silvestres em residências alimenta o tráfico de animais.

“Isso ocorre porque muitos animais comercializados ilegalmente são capturados ainda filhotes e transportados em condições insalubres. A maioria não sobrevive. Então, mesmo sem intenção comercial, manter ave silvestre sem licença contribui para um mercado ilegal, com impactos diretos sobre a biodiversidade.”

O que acontece com os animais resgatados

Após resgate ou apreensão, os animais são encaminhados sempre que possível a um CETAS do Ibama ou a instituições parceiras autorizadas. Lá, passam por avaliação clínica e comportamental; atendimento veterinário; alimentação e observação; reabilitação para retorno ao ambiente natural, quando viável.

A reintrodução na natureza depende de critérios técnicos como: capacidade de voo e alimentação natural; ausência de doenças que possam contaminar populações silvestres; comportamento compatível com vida livre; possibilidade real de adaptação ao habitat.

Quando o animal não tem condições de sobreviver em liberdade (por lesões permanentes, domesticação excessiva ou doenças crônicas), ele pode ser destinado a: zoológicos e mantenedores legalizados; criadouros científicos ou conservacionistas; programas de educação ambiental, quando aplicável.

Estrutura e desafios para emergências ambientais

O Ibama avalia que, diante do tamanho do território maranhense, o atendimento seria beneficiado com mais batalhões ambientais em áreas estratégicas e ampliação de pontos de recebimento no interior, reduzindo tempo de deslocamento até o destino adequado.

Segundo o órgão, o Brasil vem passando por adaptações para lidar com emergências ambientais e, no Maranhão, também há capacitações e esforços para ampliar o número de servidores envolvidos nessas ações.

Dados

Em 2025 foram recebidos 2.293 animais silvestres, sendo 1.219 oriundos de resgates;
Entre os animais mais resgatados no Maranhão, a maior incidência é de répteis, como serpentes e jacarés. No caso das aves: corujas e gaviões; – passeriformes (como bigodinho e xexéu); psitacídeos (como araras e papagaios).