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Consumo das famílias sustenta alta do PIB, apesar de juros elevados

Entre os componentes da demanda, o consumo das famílias continua sendo o principal motor da economia, representando 63,8% do PIB

(Foto: Reprodução/Valter Campanato)
(Foto: Reprodução/Valter Campanato)

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou crescimento de 0,4% no segundo trimestre de 2025 em relação ao primeiro, puxado principalmente pelo consumo das famílias, que avançou 0,5% no período. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado de 12 meses, a expansão chega a 3,2%.

Entre os componentes da demanda, o consumo das famílias continua sendo o principal motor da economia, representando 63,8% do PIB. Também tiveram desempenho positivo as exportações, com alta de 0,7%. Em contrapartida, o consumo do governo recuou 0,6%, os investimentos caíram 2,2% e as importações encolheram 2,9%.

Juros altos freiam ritmo

O avanço registrado no segundo trimestre representa uma desaceleração, já que no início do ano o PIB havia crescido 1,3%. Segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, o principal fator para a perda de fôlego é a política monetária restritiva do Banco Central, que mantém a taxa Selic em 15% ao ano — o maior nível desde 2006.

Apesar desse cenário, o consumo das famílias atingiu nível recorde. De acordo com Palis, a sustentação vem do dinamismo do mercado de trabalho, aliado a políticas de transferência de renda.

Mercado de trabalho e renda

A taxa de desemprego do país caiu para 5,8%, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012. Além disso, o rendimento médio do trabalhador chegou a R$ 3.477, também em nível recorde.

O Bolsa Família segue como o principal programa social do governo federal, atendendo 19,19 milhões de famílias com benefício médio de R$ 671,54. A expansão da renda, somada ao crédito ainda em crescimento para pessoas físicas, tem garantido fôlego ao consumo, mesmo com os juros elevados.

Comércio exterior e tarifas

As exportações brasileiras tiveram alta de 0,7% no segundo trimestre, mas ainda não refletem o impacto do tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump, que passou a valer em agosto.

Para o IBGE, os efeitos devem aparecer nos próximos meses, embora a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro esteja em queda há duas décadas. Atualmente, a China é o principal parceiro do Brasil, enquanto a fatia americana nas exportações caiu de 24,4% em 2001 para 12,2% em 2024, segundo dados do Icomex/FGV.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou que as tarifas atingem cerca de 3,3% das exportações brasileiras.

*Fonte: Agência Brasil

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