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Profissionais de saúde homenageiam médico vítima da Covid-19

Levantamento aponta 386 profissionais de saúde infectados pelo coronavírus em ITZ

Médico pediatra Edilson Leão, 55 anos, vítima da Covid-19 em ITZ.

O médico pediatra Edilson Dias Leão, de 55 anos, é mais uma vítima da Covid-19 em Imperatriz. Após 11 dias de internação em um leito de UTI da rede particular, nesta terça-feira (09), a junta médica que o acompanhava informou que ele não resistiu às complicações da doença.

“Ele teve uma infecção pulmonar grave e insuficiência respiratória, além de insuficiência renal, fez inclusive hemodiálise, mas o quadro complicou com uma hemorragia cerebral que a gente chama de A.V.C hemorrágico e, por último, ele teve uma parada cardíaca, sem resposta”, disse o pneumologista Alexandre Xavier.

Atuante na rede pública e privada, Edilson dedicou muitos anos à pediatria no Hospital Regional Materno Infantil, onde além de colegas deixou amigos e admiradores que hoje fizeram a última homenagem na porta da maternidade. O vídeo do adeus coletivo representado em aplausos dos colegas, quando o corpo do médico passava no carro da funerária a caminho do cemitério, repercutiu nas redes sociais pela popularidade do “Dr. Edilson”’que atuou por duas décadas no Hospital Municipal de Imperatriz, mas também pela rapidez com que a doença tem evoluído com gravidade entre profissionais de saúde e mortes precoces.

“Dr. Edilson foi pra mim muito além de colega ou amigo. Cuidou de mim como pediatra. Pela sua competência incansável de buscar conhecimento, para oferecer o melhor e mais atualizado aos seus pacientes, o escolhi para cuidar dos meus filhos. Hoje me sinto órfã de um amigo tão querido, dos conselhos a cada consulta, cada encontro era muito prazeroso e de aprendizado além da medicina, de vida mesmo”, disse a obstetra Gilvannya Zaparoli, que passou de paciente à colega de profissão e amiga de Edilson Leão.

Desde o primeiro caso de coronavírus confirmado em Imperatriz, no dia 26 de março, até o dia 5 de junho, o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, já contabilizava 386 profissionais da saúde infectados pela Covid-19 na cidade, com um óbito registrado.

No último sábado (06), mais um enfermeiro entrou nas estatísticas de mortes, além do médico Edilson hoje. Wesley Kemp Teixeira Gama, de 33 anos, que trabalhava no Hospital Municipal de Imperatriz e tinha doença renal crônica, também não resistiu. No dia anterior, o médico Júlio César Bonifácio Vieira, de 63 anos, que foi diagnosticado com a Covid-19 em Imperatriz, morreu em um hospital de Belém (PA), para onde havia sido transferido e onde deve ser contabilizado o óbito.

O levantamento feito pelo Cerest aponta que desses 386 profissionais de saúde infectados, 23 são médicos, 38 enfermeiros, 73 técnicos de enfermagem, 53 agentes comunitários de saúde, 10 farmacêuticos, 4 assistentes sociais, 3 fisioterapeutas, entre outros diversos profissionais que trabalham em unidades de saúde e mais 118 que não informaram a função, disseram apenas que trabalham na saúde quando foi feito o diagnóstico. A maioria acometida é composta por mulheres, que somam 281 casos, e 105 homens. A faixa etária da maioria dos pacientes da saúde compreende de 31 a 40 anos – 158 casos. Outros 103 têm idades de 41 a 50 anos e 41 pessoas com idade de 51 a 60 anos . São 15 profissionais de saúde do grupo de risco por idade, acima de 60 anos. Os que têm menos de 30 anos somaram 67 casos.

Dos 2681 diagnósticos de coronavírus em Imperatriz, de acordo com o o último boletim da Secretaria de Estado da Saúde, 386 profissionais de saúde representam 14,3% dos infectados.

Em todo o Estado, o boletim da SES aponta 1430 profissionais de saúde que tiveram a Covid-19, com 1293 já recuperados da doença e 21 mortes.

Para o infectologista Maurício Casanova, “o principal risco de contaminação dos profissionais que estão na linha de frente do combate à Covid-19 está na desparamentação, nos cuidados na hora de tirar os Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) depois de uma rotina exaustiva de trabalho, em que ficam expostos à uma maior carga viral pelo contato mais frequente com pessoas infectadas”, explicou.

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