SAÚDE E MEIO AMBIENTE

Caramujo presente no litoral do Maranhão é vetor de tipo de meningite

O caramujo africano é vetor do verme Angiostrongylus cantonensis. Até o ano de 2014, houve 34 casos confirmados em pacientes do nordeste, sudeste e sul

Um molusco presente no litoral maranhense que se proliferou nas últimas décadas no Brasil deixa a população em alerta e chama atenção para um caso de saúde pública. O caramujo africano é vetor da meningite eosinofílica, uma infecção provocada por parasitas.

Segundo estudo publicado na revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, o primeiro relato de meningite decorrente do verme Angiostrongylus cantonensis (transmitido pelo caramujo) foi feito em 2007. Até o ano de 2014, houve 34 casos confirmados em pacientes de Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul – um destes resultando em óbito.

A infecção ocorre porque, ao se locomover, o caramujo libera um muco que pode contaminar humanos. Por conta disso, alguns cuidados são necessários, como a higienização correta das mãos após contato com o animal, e atenção redobrada à limpeza de frutas e hortaliças.

Combate ao caramujo africano

No último fim de semana foi realizada, em São Luís, a primeira ação de controle e combate à proliferação dos caramujos africanos. Foram coletados milhares destes moluscos, e, em seguida, incinerados. A ação ocorreu na Ponta d’Areia.

“A estratégia de defesa mais eficaz para conter a proliferação desses moluscos é a catação manual, então realizamos a catação e as ações continuam por São Luís e se estenderão pelo interior. O caramujo africano não só impacta o meio ambiente, é um problema de saúde pública”, explicou o secretário de Meio Ambiente, Marcelo Coelho.

Participaram da ação as secretarias de Estado de Meio Ambiente (SEMA), Saúde (SES), Turismo e Cultura (Sectur), além do Corpo de Bombeiros e da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).

Como agir ao encontrar o caramujo africano

Segundo orientações da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão (Sema), se que se tiver na sua casa ou próximo, poderá recolher protegendo as mãos com luvas ou sacos plásticos. A transmissão de doenças não se dá pela pele, mas apenas se houver contato do muco com alimentos, objetos ou as mãos levadas à boca.

Após mãos bem protegidas, colocar os caramujos em um recipiente com água e água sanitária na proporção 3:1 (por exemplo, 3 copos de água e 1 copo de água sanitária) por 24h. Após esse tempo, descarta a água na pia normalmente, os caramujos estarão mortos e podem ser colocados no lixo para recolhimento.

Queimar também é recomendado, mas pode ter risco de se queimar, pois como eles contêm muita água no corpo, é preciso usar bastante álcool. Também seria interessante quebrar as conchas antes de por na água sanitária ou queimar, tanto para acelerar a morte deles, quanto para evitar que a concha se torne criadouro para o mosquito da dengue.

O caramujo africano

O caramujo africano é uma espécie de molusco terrestre tropical, originário do leste e nordeste da África. Foi mundialmente disseminado pela ação humana ligado a gastronomia, sendo utilizado como opção para o escargot na região da Tailândia, China, Austrália, Japão e recentemente no continente americano. A espécie é considerada uma das cem piores invasoras do mundo, causando sérios danos tanto para o meio ambiente quanto para a saúde pública.

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