DESAFIO

Segundo mandato de Flávio Dino acontece no epicentro da crise nacional

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), atravessará um segundo mandato em um período bem mais desafiador, isso para não dizer complicado

Flávio Dino terá nos próximos quatro anos do segundo mandato, à frente do governo do Maranhão, um período bem mais desafiador. Isso para não dizer complicado. Serão 1.360 dias para ele compatibilizar o governo iniciado em 2015, depois de destronar a oligarquia Sarney, enraizada no Maranhão desde o distante ano de 1966. Flávio Dino tem, portanto, quatro anos para provar ao povo maranhense que a mudança prometida na campanha de 2014 realmente fez a diferença na vida dos cidadãos. E que a saudade do sarneísmo em muitos fica, apenas, como agruras e lembranças encrustadas nas dobras da história do Maranhão.

O ex-juiz federal, que revirou de cabeça para baixo a política de poder no Maranhão, elegendo-se pelo PCdoB, com a pecha de ser “comunista”, já tem o seu espaço na história do Brasil, pelas circunstâncias de suas duas eleições. Porém, em 2014, Flávio Dino chegou ao Palácio dos Leões com o apoio total do petismo, liderado por Lula e tangido pela reeleição de Dilma Rousseff. Hoje, Dilma é uma ex-presidente expulsa do Planalto por um golpe político-judiciário, enquanto Lula curte nove meses de cadeia em Curitiba. Logicamente, que o Brasil de hoje nem de longe parece com o de quatro anos atrás. O Maranhão também. Foram quatro anos de depressão econômica, de desmantelo político, de regaços no Judiciário, de operações infinitas contra corruptos em todos os níveis de poder e de uma eleição em 2018, mais controvertida do pós-ditadura no Brasil. A inflação em baixa recorde não combinou com o crescimento pífio de 1,1% do PIB.

É deflação espremida pela “lisura” financeira. E foi a eleição do voto mais irado desde o século passado. Jair Bolsonaro surgiu do nada, como o salvador da Pátria, batendo continência para generais, mas acertando em cheio na ansiedade do povo diante da violência e dos demandados. Flávio Dino, um esquerdista em ascensão, governando o estado mais pobre do País, pode se tornar “ilhado” ideologicamente por um governo federal com profundas marcas no conservadorismo de direita. A crise institucional é mais grave ainda para Bolsonaro do que para Dino. O “mito” incorporou todas as esperanças do desalento nacional e tem desafios monumentais. Mesmo assim, ele e Dino, em algum momento, vão estar cara a cara, apesar das divergências ideológicas.

Isso só será possível porque o Brasil tem uma democracia robusta, a mesma que permitiu tanto a eleição do “comunista” Flávio Dino, quanto a do direitista Jair Bolsonaro. Afinal, o PCdoB foi tão irrelevante para o eleitor maranhense, quanto o PSL foi para o eleitorado brasileiro.

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