TOMANDO O PARTIDO

Pulverização transforma partido em ponto de negócio

Um novo fuzuê está vindo à tona. A partir da pulverização de partidos, cada um é transformado num ponto de negócio, como uma padaria de esquina

Os partidos políticos no Brasil, num total de 35, são, impressionantemente, metamorfoseados a cada temporada eleitoral. Tornaram-se verdadeiras arapucas armadas para ganhar dinheiro dos fundos federais e abiscoitarem o poder antes e depois de cada pleito. Em 1984, por exemplo, o PDS, que era presidido por José Sarney na ditadura, se misturou com o PMDB e fez a maior jogada da história do Brasil. A legenda de Sarney, apoiador do regime militar acabou abandonado e o PMDB de Tancredo Neves ganhou um vice “opositor”, que, por ironia da história, virou presidente do Brasil por cinco anos.

Agora, com o Brasil mudado, 33 anos daquele episódio, a política de arranjos e composições estrambólicas permanece igualzinha. Um novo fuzuê está vindo à tona. A partir da pulverização de partidos, cada um é transformado num ponto de negócio, como uma padaria de esquina.

No Maranhão, Flávio Dino foi eleito em 2014, com nove partidos, derrotando Edinho Lobão, do MDB, tinha 16 na aliança. Em 2018, Dino, com o PCdoB, ganhou com 16 legendas, e Roseana Sarney, do mesmo MDB, perdeu com cinco. É assim o jogo político, onde cada partido é uma escora e ao mesmo tempo uma escada para chegar ao poder.

Na eleição presidencial, Jair Bolsonaro virou “mito”, pelo nanico PSL, que explodiu nas urnas, com as maiores votações no parlamento. Agora, com a transição chegando aos arremates, os partidos, inclusive o PSL, travam uma disputa por espaço na Esplanada, onde uma tropa militares da reserva e da ativa “virou o maior partido do Brasil” no futuro governo. O DEM, que ganhou três ministérios, oficialmente, não está no governo bolsonarista. Foi colocado pelo presidente, não pela legenda de ACM Neto.

O prefeito de Salvador disse que o DEM ainda vai decidir se apoia Bolsonaro. Significa que o partido está na Esplanada, mas não, na base. Já o governador eleito de Goiás, Ronaldo Caiado defende que 100% do DEM apoie Bolsonaro. É a ala do ex-PFL, no DEM, que faz toda essa barulheira na transição. Enquanto isso, o novo presidente já se põe como bombeiro para apagar incêndio no PSL, entre o seu filho senador eleito, Flávio e a deputada mais votada da história do Brasil, a jornalista Joice Hasselmann. Tais confrontos e desencontros são apenas sinalizadores do que ainda está por vir.

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