Saulo Pinto (PSOL), candidato ao Senado nas eleições 2018. (Foto: Divulgação)

É a primeira vez que o professor de economia da Universidade Federal do Maranhão Saulo Pinto (PSOL) se candidata a qualquer vaga na política; e, logo de primeira, concorrerá à vaga de senador ao lado de nomes da velha-guarda na política.

O posicionamento de Saulo, no entanto, se destaca – o candidato afirma ser o único de esquerda. Por fazer parte da agenda do Partido Socialismo e Liberdade, ele tem firmeza quanto ao teor de suas propostas em defesa das minorias, de movimentos sociais e contra oligarquias de longa data no Maranhão. O Imparcial conversou com o candidato sobre todas essas questões. Confira:

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Qual a importância de uma candidatura do PSOL ao senado?

Após o golpe de 2016, temos duas polarizações: a retomada da hegemonia do PT, e do lulismo, sobretudo, no imaginário da população; e a extrema direita, do Bolsonaro, que desidratou o PSDB, PMDB e outros partidos de direita. O PSOL surge como alternativa entre a extrema-direita e o lulismo, combinando a luta contra golpe, contra desigualdades e todas as formas de opressão e, sobretudo, apresentando um partido que consiga representar o conjunto da subjetividade do nosso povo.

Qual é o seu diferencial no cenário dos candidatos ao senado?

O Maranhão é um estado que tem um patamar de dependência estrutural muito significativa. É óbvio que, depois de cinco décadas de domínio de uma família à frente do estado, é normal que se tenha a manutenção de um modo de funcionamento da política. Se virmos os últimos 35 anos, tivemos basicamente os mesmos quatro senadores vinculados à mesma família. Para nós, a manutenção de Lobão representa um retrocesso, não só pelo fato de carregar o estigma oligárquico, mas também por ele não apresentar nenhuma alternativa de mudança. Por outro lado, Eliziane Gama também representa retrocesso porque votou pelo golpe e é neoliberal do ponto de vista econômico, atacando os direitos dos trabalhadores. Nós defendemos a política como um meio de vida, não como forma de mudança de status econômico. Quando em comparação aos outros que concorrem ao senado, a única candidatura de esquerda é a minha.

Qual é o papel do PSOL em meio ao crescimento do conservadorismo no Brasil?

Nós respeitamos as individualidades das pessoas. Defendemos radicalmente, por exemplo, a pauta da descriminalização do aborto e a garantia da liberdade sexual. Não só somos não-homofóbicos, mas também anti-homofóbicos. Procuramos debater a vida pública com direitos civis consolidados – isso que significa a república. O tradicionalismo presente na sociedade se camufla da defesa de modos de vida tradicionais, da ideia da família paternalista, conservadora etc. mas, na verdade, é uma posição reacionária. Eles querem impedir que as mulheres, os negros, os indígenas, os homossexuais e o conjunto de minorias em geral pautem o debate público a partir de seu modo de vida.

Apesar de o PSOL ter se posicionado contra o impeachment da Dilma e a favor da liberdade de Lula, vocês sempre foram muito críticos ao PT. Quais são as ressalvas que vocês têm em relação ao partido?

Um dos pontos é que a política econômica do PT privilegiou os ricos. O outro ponto é que o nível de alianças do PT com o PMDB possibilitou que o governo fosse dominado pelos setores oligárquicos, que querem usufruir da política para bens privados. Essas duas críticas são as principais que nos fazem estar em partidos diferentes. Entretanto, não podemos dizer que o fato de Lula estar preso injustamente e de Dilma ter sido golpeada é algo que não tem nada a ver conosco. Tem tudo a ver, pois lutamos contra injustiças e nos posicionamos a favor da democracia e liberdade.

Então, caso haja segundo turno entre o PT e outro partido de direita, vocês se posicionariam a favor do PT?

Não posso responder inteiramente pelo partido, pois estamos no primeiro turno com Boulos e queremos chegar ao segundo. Se não tivermos o PSOL no segundo turno, vamos ter um debate onde decidiremos nosso apoio. Eu, particularmente, se houver polarização entre o PT e outro partido de direita, vou defender que haja apoio crítico ao PT, mas isso é uma posição individual. Caso o partido decida o contrário de mim, vou seguir o direcionamento do partido.

O senado é uma representação nacional do estado. Se Roseana ganhar, você vai representar suas propostas?

Se Roseana ganhar as eleições a governadora, eu não vou representá-la no congresso nacional, me desculpe. Vou representar as pessoas do Maranhão. Se Flávio Dino ganhar, posso representar pontualmente interesses dele se esses representarem os interesses do povo. Caso contrário, não tem acordo. Como, por exemplo, no caso do Porto do Itaqui, que está tentando remover comunidades ancestrais que alí se estabelecem. Eu, no senado da república, vou denunciar qualquer governo que tente fazer isso para garantir interesses de outras nações. Somente naquilo que for progressista, nós vamos apoiar o Governo Flávio, mas, todas as vezes que ele precisar de apoio para qualquer tipo de questão distinta dos interesses do povo, vou estar contra ele.

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