2º TURNO

Flávio Dino: “Bolsonaro é um Temer piorado”

Em entrevista ao jornal britânico BBC, governador do Maranhão falou sobre o cenário político e a corrida presidencial

Em entrevista ao jornal britânico BBC, Flávio Dino (PCdoB), disse que “Bolsonaro é um Michel Temer piorado”. O maranhense esteve em São Paulo com outros governadores nordestinos eleitos no primeiro turno para declarar apoio ao candidato a presidente Fernando Haddad (PT), e traçar estratégias para o segundo turno da campanha do petista. Eleição será dia 28 de outubro.

Um dos temas abordados na entrevista foi a famosa “carta ao povo brasileiro” que Lula escreveu em 2002 assumindo compromissos na condução da economia, comumente apontada como fundamental para, naquela época, acalmar o mercado que se agitava com a iminente vitória do primeiro candidato do centro-esquerda desde João Goulart (empossado em 1961 e deposto o golpe militar de 1964).

Flávio Dino, reeleito governador com 59% dos votos, é “totalmente contra” que Haddad faça algo parecido, já que acredita que “ninguém leu” a carta e Lula venceu porque era, naquele momento, “um sinal de expectativa de melhoria de vida”. E, esse é o mesmo sentimento que explica o motivo pelo qual Jair Bolsonaro (PSL) tenha obtido 46% dos votos válidos no primeiro turno presidencial (Haddad registrou 29%).

Ainda na entrevista ao jornal inglês, Dino disse que os brasileiros de menor renda viram suas condições de vida piorar a partir do governo Dilma Rousseff (PT), e parte deles acabou “seduzida” pela proposta bolsonarista de armar a população contra os criminosos. “É óbvio que uma coisa não tem nada a ver com a outra: arma não gera emprego, arma gera homicídio. Mas é o (discurso) que está aí nos segmentos populares, sobretudo no Sul e Sudeste. Acabaram aderindo ao Bolsonaro, na expectativa de melhorar sua vida”, analisa o governador do Maranhão.

Filiado ao PCdoB, que tem a vice Manuela D’ávila como vice de Haddad, Dino aproveitou a oportunidade de encontrar o candidato a presidência para dizer que o correto seria buscar aproximação com outros líderes políticos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e os candidatos derrotados Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede), mesmo acreditando que o apoio dessas pessoas não seja determinante para a vitória nas urnas.

O foco, defendeu na entrevista, deve ser recuperar os votos do “povão”, explicando a diferença nas  propostas econômicas entre o PSL e o PT. “Sobretudo mostrar que, em termos da economia, ou seja, do emprego, do trabalho, da renda, Bolsonaro é um (presidente Michel) Temer piorado. Esse é o centro do debate”, explicou.

Questionado pela reportagem sobre parte da sociedade cobrar do PT uma autocrítica sobre a corrupção nos governos Lula e Dilma, Dino respondeu que para ele é “suficiente” o fato de Haddad não ter sido envolvido “em nada de ilegal”.

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