ELEIÇÕES 2018

A influência das pesquisas no eleitorado maranhense

No Maranhão, especialmente em São Luís, as pesquisas seguem desacreditadas por parte do eleitorado. A motivação é que a discordância entre os institutos é escrachante

(Foto: Reprodução)

Mais morna que outrora, a campanha das eleições de 2018 esquentam em duas esferas: judicial e da comunicação / marketing político. As pesquisas eleitorais se enquadram na esfera comunicacional e de estratégia de marketing político. Os partidos e candidatos lançam mão para consumo interno, para alinhar estratégia durante o pleito e, quando necessário, as divulgam.

No Maranhão, e especialmente em São Luís, as pesquisas seguem desacreditadas por parte do eleitorado, a motivação é que a discordância entre os institutos é escrachante. Não se tem pista de como pensa o eleitorado. O ponto não é bem o que as pesquisas revelam, mas o que ela quis revelar. Explico. Tem possibilidade da pesquisa Exata e Ibope “retratar” a realidade, mesmo mostrando números completamente diferentes entre si? Há, sim, essa possibilidade.

Na semana passada, foram divulgadas duas pesquisas. Uma na quinta, outra na sexta-feira. O Ibope/TV Mirante (​TRE: MA-00502/2018 / TSE: BR-02085/2018​) divulgou na noite de quinta-feira, 23, que Flávio Dino (PCdoB) tem a preferência de 43% dos votos, enquanto Roseana alcança 34% do eleitorado.

Amanheceu o dia, as posições foram mantidas mas os dados foram outros. Na pesquisa da Exata/Jornal Pequeno (TRE: MA-07422/2018), o governador Flávio Dino (PCdoB) decola com 61% do eleitor e, garantiria, a eleição com facilidade no primeiro turno.

Essas pesquisas fazem um recorte da realidade. Não necessariamente representam, com precisão, a realidade do todo. A pesquisa Exata, por exemplo, não divulgou a taxa de indecisos e votos nulos, isso significa que contabiliza somente os votos válidos, da mesma forma que o Tribunal Superior Eleitoral faz na hora de contabilizar os votos do pleito.

Suprimir essa informação trata-se de uma estratégia de marketing para mostrar que, se as eleições sendo hoje, o candidato Flávio Dino (PCdoB) estaria eleito no primeiro turno. Por outro lado, sua principal opositora, Roseana Sarney (PMDB), aparece com uma distância de 9% do governador do Maranhão, divulgar incluindo branco/nulos e não sabe, pode demonstrar que a eleição ainda não está perdida para herdeira política de José Sarney (MDB).

O pesquisador Guilbert Macedo, professor do Departamento de Comunicação, da Estácio São Luís, credita também na velocidade de circulação de informações na era da internet e redes sociais para afirmar que as pesquisas são apenas um “retrato” da opinião do eleitor em um determinado momento.

A pesquisa tem um ponto de partida e aspectos que têm que ser levado em conta. A abordagem também não pode ser esquecida, entre outros pontos como classe social, cidade/bairro pesquisado, escolaridade e outros pontos são determinantes para mostrar a preferência do eleitor.

Muitas vezes, diferentes institutos de pesquisa divulgam, simultaneamente, os resultados das apurações com a intenção de votos dos eleitores em determinadas regiões. E os resultados, não raro, são conflitantes. Nesse momento, quem apoia o candidato melhor colocado em determinada pesquisa acusa o outro instituto de errar na pesquisa, e vice-versa.

Os números de amostragem podem parecer pequenos, diante do universo eleitoral maranhense de mais de 4,5 milhões de eleitores, mas os institutos de pesquisa garantem que são suficientes para representar os eleitores do estado e retratar, levando-se em conta as margens de erros e os intervalos de confiança, as intenções de voto dos maranhenses.

Marketing?

Reguladas em 1997 pela Lei 9.504, as pesquisas eleitorais só podem ser realizadas mediante registro no TSE – Tribunal Superior Eleitoral. Porém, divulgar os resultados das pesquisas é possível de forma livre até a véspera do dia da votação. Cada vez mais as pesquisas têm sido usada como instrumento de marketing.

Além da pesquisa nortear na estratégia eleitoral, elas também são usadas como instrumento de marketing para o eleitor que se apresenta com bons números segundo os dados divulgados.

Por outro lado, para o Mestre em Ciências Sociais, Doutorando em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional e professor da Faculdade Estácio São Luís, Gabriel Nava, as pesquisas têm o papel de ajudar o eleitor a escolher, dentre os que têm mais chances de se eleger, aquele cujas ideias são mais próximas às suas. “Além disso, as pesquisas também ajudam os partidos a selecionar pessoas que tenham mais aceitação pela população”, lembra o professor.

Confiabilidade das pesquisas

Segundo os institutos, o segredo está na escolha dessa amostra, que não ocorre de modo aleatório. O que acontece é um trabalho estatístico que busca dividir o eleitorado seguindo critérios como sexo, idade, escolaridade, ocupação e espaço geográfico. Os responsáveis pelas apurações partem do pressuposto de que eleitores com características semelhantes tendem a ter a mesma orientação política.

“O ideal é que a amostra seja sempre bem calculada. O cálculo permite que os indivíduos sejam capazes de constituir uma espécie de ‘mini-sociedade’, uma miniatura do conjunto da sociedade. Assim, a tendência é que o comportamento dessas pessoas se reproduza para todo o conjunto”, explica o professor Gabriel Nava, que também leciona a disciplina de Metodologia Científica.

Pesquisas não devem indicar em quem votar

O professor Gabriel Nava alerta, porém, para o poder de influência das pesquisas nos resultados das eleições. Segundo ele, há o risco de esses estudos condicionarem o comportamento do eleitor e estimular o chamado “voto útil”. “As pesquisas tentam prever um resultado e mensurar a preferência dos eleitores. Assim, podem influenciar no comportamento do eleitor menos ligado a ideologias”, afirma.

“Observe se os candidatos pensam como você, se têm engajamento, se realmente se importam com o social. Jamais vote por um favor ou de olho em algum benefício próprio, isso só piora a situação da sociedade brasileira”, alertam os estudiosos.

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