POLÍTICA

Se o voto fosse facultativo, você votaria?

A opinião da maior parte dos entrevistados revela a insatisfação dos brasileiros com o cenário político atual o que deve servir de alerta para os próximos representantes

Reprodução

A voz do povo é a voz de Deus. Se for assim, o Todo-Poderoso não está muito contente com a classe política que representa a sociedade no país. A opinião nas ruas de São Luís sobre um questionamento simples mostra o quanto a credibilidade dos políticos anda baixa atualmente.

A reportagem de O Imparcial perguntou para várias pessoas qual seria a disposição delas como eleitores em ir às urnas em uma situação hipotética onde votar não fosse obrigatório. As repostas devem servir como um alerta aos políticos que pretendem se candidatar em 2018 para que busquem restaurar a confiança do eleitor, caso contrário, o pleito será bem mais difícil. Apenas 20% das pessoas ouvidas têm a intenção voluntária de votar este ano. Maioria esmagadora, 80% dos eleitores disseram que se pudessem escolher não votariam em ninguém.

Opinião popular

A opinião da população não é novidade, já que a relação do brasileiro com o voto vem sofrendo abalos circunstanciais nos últimos anos. A inadimplência nas obrigações eleitorais nunca foi tão alta no país. Em 2017, dados de um levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostraram que quase 1,9 milhão eleitores estavam em situação irregular no Brasil. No Maranhão, dos 55.244 que estavam em situação irregular, apenas 1.500 regularizaram a situação eleitoral.

Em 2015, no país, foram cancelados 1.711.267 títulos de eleitores que não regularizaram a situação junto à Justiça Eleitoral, enquanto que em 2013, 1.354.067 eleitores perderam o direito ao voto ao terem seu título cancelado. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), este ano, quem não regularizar a situação eleitoral até 9 de maio não poderá votar nas eleições 2018, ficando impedido de obter certidão de quitação que é necessária para assumir cargo público, tirar passaporte, regularizar CPF ou matricular-se em instituições de ensino superior. Se funcionário público, pode haver ainda problema para receber salários. Cerca de 75,5 milhões de pessoas, pouco mais da metade dos 146,7 milhões dos eleitores, já estavam cadastrados na biometria no fim de janeiro. O objetivo da Justiça Eleitoral neste ano é alcançar 82,5 milhões de cadastrados (56,5% do total).

Eles com a palavra

Jonas Dutra

O voto é facultativo a partir dos 70 anos. O aposentado Jonas Dutra, de 75 anos, já se encontra na categoria dos que votam apenas quando querem, mas, para ele, muito antes de se aposentar, já não via muito sentido na ação, já que a política vem sendo a mesma há gerações e nunca muda. “Eu votei sempre pela legislação que obriga a votar, agora que não sou mais obrigado não voto mais. A política anda muito devagar, em quem devíamos confiar a desconfiança é total. Não dá mais para mudar. Onde que vamos encontrar pessoas corretas para dirigir esse país?”, questiona. “Para falar a verdade, eu sempre conheci Ernesto, mas honesto na política, não”.

Manoel Fernandes

O promotor de vendas Manoel Fernandes se coloca no time dos que não votariam se pudessem. Segundo ele, a conjuntura política em vigor hoje se apresenta de forma fraca e duvidosa. “Atualmente, a situação que acontece no país todo, essa roubalheira da política, o povo não acredita mais nos políticos e acha que todos são ladrões. Eu, particularmente, se pudesse, preferia não tirar o título. Votar não está resolvendo a situação do país. Nas rodas de conversa que participo, a opinião é sempre essa, o povo não acredita mais, se tem a impressão de que o político é ladrão, por mais que ele não seja”.

Andrio Mota

Mesmo jovem, com apenas 19 anos, Andrio Mota já observa um cenário desanimador com relação à classe de políticos existente no país. Para ele, a esperança é que, durante o longo período em que será obrigado a votar, a situação melhore, caso contrário, a ação de cidadania vai ser sempre enfadonha. “Hoje, a gente não tem candidatos que possam se adequar àquilo que o Brasil está precisando. Grande parte da classe política não merece ser votada, e muitos estão desacreditados por colocar os interesses pessoais à frente da população”.

Romaim Pereira

Quem acha que o voto ainda pode mudar alguma coisa é o motorista Romaim Pereira. Para ele, é preciso votar em um candidato totalmente diferente para salvar o país. “No momento, eu só tiraria o título porque pretendo votar no Jair Bolsonaro. Se não tivesse ele, eu preferia nem votar. Eu acredito que com ele haveria uma mudança no país, porque é uma esperança para as famílias. Existe ideologia de gênero e essas bobagens aí que tô fora, apoio ele pelos pensamentos dele”.

Antônia Almeida

A teóloga Antônia Almeida não vê mudanças em nenhum dos candidatos que pretendem ser eleitos em nenhum âmbito da esfera de poderes. “Se o voto fosse facultativo, eu não votaria porque as pessoas que estão no poder não estão nem aí para a população, só pensam nelas. A gente vê que as pessoas de baixa renda se matam de trabalhar e não ligam para quem está no poder. A briga pelo poder é só uma briga partidária. Os políticos que nos representam são todos corruptos”.

George da Silva 

Trabalhando diariamente com pessoas de todos os tipos, o ambulante George da Silva diz que escuta as mais diversas reclamações. Para ele, o ato de votar é meramente uma obrigação que não traz benefícios a quem realmente precisa. “Para falar a verdade, nenhum desses políticos merece o nosso voto. Não fazem nada que beneficie a população, e o trabalhador é que sofre todo dia com os absurdos que acontecem. Acho que nenhum político que está aí hoje merece ficar, talvez outros que entrem sejam melhores. Eu só voto mesmo por obrigação”.

E você? O que acha? Se pudesse escolher, iria ou não às urnas? 

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