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A sucessão presidencial está muito mais embaraçada do que a sucessão estadual no Maranhão. Aqui, a disputa do Palácio dos Leões entra na fase de decisão, com seus principais pré-candidatos em pé de guerra.São eles: Flávio Dino (PCdoB), Roseana Sarney (PMDB), Roberto Rocha (PSDB) e, provavelmente, Eduardo Braide (PMN), ainda na fase de avaliação dos diferentes cenários. Já a sucessão de Michel Temer, com 10 pré-candidatos, está no impasse de Luiz Inácio Lula da Silva, líder em todas as pesquisas, ser ou não ser liberado pelo Supremo Tribunal Federal.

A dúvida é quem o substituirá para o confronto contra Jair Bolsonaro (PSC), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alkmin (PSDB). Enquanto a Justiça não decidir a entrada ou não de Lula na eleição presidencial, o quadro permanecerá com impasses, incerteza e brigas por espaço nos segmentos da direita e da esquerda. Como a disputa maranhense está polarizada entre Flávio Dino e Roseana, o eleitorado de Lula, a essas alturas, não sabe para onde ir e com quem.

Se a Justiça permitir a candidatura de Lula, hoje metida num emaranhado de decisões que o tornariam inelegível, a eleição tem um eixo esquerdista, um de centro e outro de direita. No entanto, uma turma de advogados trabalha intensamente a dar brechas possíveis para viabilizar Lula e impedir que ele seja preso. Como candidato ou fora do páreo, ele tem peso significativo na eleição de governador do Maranhão. Até porque o PT fechou questão em fazer aliança com o PCdoB de Flávio Dino, tirando-o do palanque de Roseana Sarney, com quem esteve nas últimas eleições.

O provável impedimento de Lula vai pesar na campanha do Maranhão, mas não é determinante. Afinal, ele nunca participou diretamente das campanhas em que o PT esteve alinhado com o PMDB. Em 2006, por exemplo, Lula nem veio à capital maranhense durante a campanha. Participou de só um comício de Roseana em Timon, quando destacou a lealdade da peemedebista a ele. Porém, o PT e sua estrutura de militância, ficaram com Jackson Lago, que derrotou Roseana e depois se alinhou com o presidente petista, reeleito.

No segundo turno, Lula já eleito, gravou uma mensagem, pedindo voto para Roseana. Já em 2010, ele apoiou novamente a peemedebista, contra Jackson Lago, que havia sido cassado por ela em 2009. Lula chegou a se irritar, com um grupo que o vaiou por causa dos Sarney. Ele reclamou das pessoas protestarem contra Sarney. Pediu-lhes que deveriam ir fazer isso no Amapá, onde o peemedebista era eleito. Roseana, ao lado de Lula, disse que as críticas dirigidas a ela eram “preconceito contra a mulher”.

“O cara”, para Obama

Naquela eleição, Lula acabara de ser reeleito, quando foi chamado de “O cara!” pelo admirador Barack Obama, diante de sua avassaladora popularidade. E Sarney era presidente do Senado e contava com a estrutura do PMDB, então presidido por Michel Temer – mandava e desmandava no governo petista. Roseana foi reeleita, derrotou Jackson e Flávio Dino, além de eleger os senadores Edison Lobão e João Alberto. Foi a única candidatura de Zé Reinaldo ao Senado, a qual foi perdida.

Em 2010, o PT maranhense decidiu, em votação interna, apoiar a candidatura de Flávio Dino ao governo. Porém, pressionado por José Sarney, o Diretório Nacional petista obrigou a executiva estadual a desfazer a coligação com o PCdoB, e apoiar Roseana, que havia sido líder do governo Lula no Senado. Foi revelado na época, em reportagem publicada pela revista Veja, que emissários da família Sarney tentaram comprar os votos de delegados petistas para que estes apoiassem a coligação com o PMDB, por valores que variaram de R$ 20 mil a R$ 40 mil.

Após ter perdido o apoio do PT, Dino ainda cogitou formar aliança com Jackson Lago, mas desistiu a partir da relutância do ex-governador em abrir mão da candidatura própria. Daquele pleito até hoje, o Brasil mudou e muito. Hoje, Roseana e o pai não têm mandato algum. O PMDB está no Palácio do Planalto com Michel Temer, mas foi resultado de um impeachment, golpista, em 2016, e agora o presidente é recordista em rejeição, com 95%. O PMDB também encolheu em 2014 e 2016, quando elegeu apenas 22 prefeitos, menos da metade dos 46 do PCdoB.

Em 2014, Roseana tentou emplacar a candidatura de Max Barros, titular da Infraestrutura, mas não conseguiu empiná-lo, trocando-o pelo chefe da Casa Civil, Luís Fernando Silva, hoje prefeito de Ribamar. No entanto, o projeto de levar o vice Washington Oliveira para o TCE e tentar fazer Luís Fernando governador em pleito indireto na Assembleia Legislativa foi para o brejo. Ela renunciou poucos dias antes do mandato acabar e o deputado Arnaldo Melo assumiu o governo.

Como Luís Fernando rompeu com Roseana e ela teve que recorrer a uma emergência no grupo Sarney. Buscou o suplente de senador e empresário Lobão Filho para a missão desafiadora de disputar o governo, como estreante em qualquer tipo de eleição. Flávio Dino navegou em céu de brigadeiro e foi eleito no primeiro turno, com nove partidos coligados, contra 16 de Lobão Filho.

Falta “máquina” e estrutura

Em 2018, a história é outra. Muito diferente de quatro anos atrás. Dino é o governador. Conta com uma poderosa legião de prefeitos – algo em torno de 150 – apoiando-o, a maioria esmagadora dos deputados estaduais, tem a máquina na mão, um programa de governo de elevada aprovação popular no interior, com obras espalhadas por todo o estado, disse ter R$ 1 bilhão para investir este ano e 14 partidos alinhados, contra seis de Roseana, até agora.

A ex-governadora do PMDB, porém, tem forte carisma pessoal, o sobrenome Sarney impregnado no subconsciente popular e uma relação amistosa com a classe média, que abomina “comunista”, principalmente o que lhe cobrar imposto sonegado. Ela não tem a “máquina”, não tem dinheiro empresarial na campanha e está com vários partidos nanicos de pouca expressão política. José Sarney não tem mais a força que tinha, mesmo aparecendo para seus admiradores em eventos no Palácio do Planalto, cujo titular Michel Temer prometeu pesar a mão federal liberando verbas em projetos que favoreçam Roseana.

Se Lula ficar fora da eleição, pode beneficiar Roseana. Ou não. Ele tem força eleitoral no Maranhão, onde recebeu a maior votação nas suas duas eleições. Apenas um vídeo dele pedindo voto para Dino basta. Os dois estão alinhados, por Dino ter esbravejado o quanto pôde contra o impeachment de Dilma e hoje defender a participação do petista na disputa presidencial, contestando ainda a sua condenação pela Justiça.

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