POLÍTICA

Com tom apaziguador, Otelino Neto abre os trabalhos da Assembleia

Por mais que faça parte do mesmo partido do governador Flávio Dino, o presidente da Assembleia terá a difícil missão de pôr em prática suas palavras de união na Casa

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O ano do Poder Legislativo mal começou, mas uma coisa é certa: os embates entre os deputados da oposição e da base aliada deverão ser bem quentes durante 2018. A expectativa é que as eleições de outubro se tornem combustível especial para as discussões na Assembleia Legislativa. O risco de politizar tanto os embates pode fazer com que o plenário esqueça os ideais da população e se transforme em um “ringue”, onde as trocas de farpas serão inevitáveis.

Ao abrir os trabalhos de 2018, na semana que antecedeu o carnaval, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Othelino Neto (PCdoB), buscou um discurso apaziguador. Aproveitou o momento para garantir que sua gestão respeitará as diferenças.

Era de se esperar que essa seria a posição de Othelino Neto. Por mais que faça parte do mesmo partido do governador Flávio Dino, o presidente da Assembleia terá a difícil missão de pôr em prática suas palavras de união na Casa. Para conseguir alcançar esse objetivo, será necessário muita habilidade, principalmente quando as discussões ficarem acaloradas e os interesses político-partidários começarem a se sobressair.

“Será este o norte que vai me guiar conduzindo a Assembleia Legislativa durante o ano de 2018, respeitando as diferenças. E aqui mesmo nas sessões, cujos debates são mais acalorados, nós sempre preservamos a prerrogativa do deputado de discutir a exaustão um projeto que chega nesta Casa. Seja ele de origem do próprio Legislativo, seja ele de origem do Executivo ou mesmo vindo do Judiciário ou do Ministério Público, enfim, qualquer que seja o projeto”, afirmou Othelino Neto.

O presidente da Casa completa: “As instituições permanecem independentes, como rege a Constituição. As instituições permanecem autônomas, mas conseguem trabalhar, cumprir com os seus deveres de forma harmônica, como também estabelece a Constituição Federativa do Brasil. Os Poderes se respeitando e entendendo o limite de cada um e as suas competências constitucionais, quem é que ganha com isso? Quem ganha com isso é a sociedade, que é o objetivo principal de todos nós, afinal somos servidores públicos pagos pelo contribuinte para prestar um serviço de qualidade e com o compromisso para o estado do Maranhão”.

Líder da base governista na Assembleia Legislativa, o deputado Rogério Cafeteira (PSB) elogia Othelino pela postura, mas concorda que, na prática, a discussão será intensa.

“A postura do Othelino é a postura que temos que esperar do presidente. Ele agora não pode ser partidário. Ele é o chefe de um Poder. Então, tem que respeitar seus pares, suas diferenças partidárias, ideológicas. Mas isso é por parte do presidente e não das bancadas do governo”, explicou Cafeteira.

Oposição

Por mais que a teoria defendida por Othelino Neto seja um tanto quanto protocolar, a prática tende a ser bem diferente. Em um ano eleitoral, os embates dentro da Assembleia ganharão ainda mais importância. Primeiro porque muitos dos atuais parlamentares vão tentar a reeleição ou se eleger na Câmara Federal e, segundo, porque a defesa ou acusação contra o governo Flávio Dino serão temas frequentes nas sessões da Casa.

Líder da oposição na Assembleia Legislativa, a deputada Andrea Murad (MDB) sinaliza que “2018 será o ano mais importante da história recente do Maranhão”. A parlamentar mantém sua postura contrária à administração de Dino e critica a política
adotada pelo governador.

Com o discurso de defender os interesses da população, a deputada garante que o tom político vai prevalecer nas discussões na Assembleia, principalmente porque, na sua visão, o “Maranhão está regredindo em todos os setores”.

“Esse ano de 2018, na minha avaliação, é o mais importante da história recente do Maranhão. Pela primeira vez, o estado está entregue a um governo comunista que, ao contrário de todos os anteriores, conseguiu aumentar o número de maranhenses em situação de pobreza extrema. O Maranhão está regredindo em todos os setores”, afirmou.

Andrea faz duras críticas a áreas como economia, educação, infraestrutura e, principalmente saúde. “A saúde está um caos. Médicos e funcionários com salários atrasados, e os hospitais e UPAs sem nenhuma manutenção. Além da situação lamentável das estradas, do asfalto que não dura um inverno, colocado para angariar votos sem nenhum planejamento”, explicou.

Base pronta

As denúncias por parte da bancada de oposição deverão acontecer de forma intensa. Para o líder da base governista na Assembleia Legislativa, deputado estadual Rogério Cafeteira (PSB), o volume de denúncias não é problema. Segundo o parlamentar, o papel da oposição é importante, mas é preciso evitar a criação de factoides cujo objetivo é o de apenas prejudicar o governo.

Mas, caso os deputados de oposição adotem a postura de criação de factoides, Cafeteira destaca que a base governista está pronta para o debate, seja em qual nível for.
“Estamos prontos para ir para o confronto em qualquer setor, em qualquer nível. Esperamos que seja feito um debate num bom nível, de uma forma ética e que a gente possa, com isso, avançar. O papel da oposição é importante de criticar, de fiscalizar, mas dentro de preceitos éticos. Não se pode também criar factoides, criar mentiras e tentar disseminar isso. Respeitando a oposição, mas estamos prontos para o ano, para debater em qualquer seguimento”, afirmou Rogério Cafeteira.

Como a abertura oficial dos trabalhos da Assembleia ocorreu antes do carnaval, o tom político deve ganhar força no plenário somente na próxima semana. Mesmo assim, as críticas entre parlamentares sobre determinadas atitudes já começaram.

“Eu fiz uma crítica ao deputado Wellington [do Curso] (PP) sobre essa questão do concurso. O deputado Wellington tem tomado a bandeira. Eu até disse para ele o seguinte: ‘olha deputado, as férias acabaram. O senhor passou as férias andando e falando sem ninguém ter respondido. O senhor tem juntado em uma manifestação 12 e na outra 30 pessoas e aí quer anular um concurso sem nenhuma base legal, sem nenhum fundamento. Você vai prejudicar centenas e centenas de pessoas que foram aprovadas para fazer politicagem’. Esse é o perigo que a gente tem. Eu temo que a oposição se perca nessas questões de um ano de eleição, e que ela seja picada pela mosca da denúncia vazia, da crítica infundada”, concluiu o líder da base governista.

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