PODER POLÍTICO

Antecedentes e ecos do “panelaço”

Ontem, às oito e meia da noite, boa parte dos brasileiros que se sentiram enganados pelos que estão no poder desde 2003, e cansados de ouvirem falar de corrupção, mau uso dos impostos diretos e indiretos que pagamos, fizeram mais um retumbante “panelaço” . Naquele momento os áulicos do partido no poder estavam na propaganda […]

Ontem, às oito e meia da noite, boa parte dos brasileiros que se sentiram enganados pelos que estão no poder desde 2003, e cansados de ouvirem falar de corrupção, mau uso dos impostos diretos e indiretos que pagamos, fizeram mais um retumbante “panelaço” . Naquele momento os áulicos do partido no poder estavam na propaganda eleitoral partidária desfilando mais uma vez um conjunto de inverdades.
Eu optei por assistir para ouvir e ver a expressão de cada um deles. Impressiona-me a capacidade que ainda têm de dissimulação. Desfilaram um conjunto de inverdades, eximiram-se das responsabilidades que tem. Agiram como se estivessem ainda em campanha eleitoral. O programa não destoou em nada daquela série de montagens que foram exibidas antes das eleições de outubro do ano passado.
Em vez de falar para os 71% que rejeitam a Presidente e tudo isso que aí está, como mostra a pesquisa do Datafolha mais recente, preferiram falar para os 8% que ainda acreditam neles. Não conseguem, não tem capacidade, não tem competência para explicar com degringolaram os fundamentos macroeconômicos que estavam se consolidando, antes de chegarem ao poder, depois de um penoso período pelo qual passamos para derrubar uma hiperinflação que nos atormentou por longos 25 anos.
Itamar Franco havia entregue a coordenação do projeto que mudaria a trajetória ascendente dos preços em descontrole para um sociólogo que, inteligentemente, cercou-se de uma equipe lúcida de economistas. Juntos, Presidente honrado, Ministro inteligente, equipe competente, teceram um plano que iria trazer a estabilidade monetária. Plano que na época foi contestado de forma veemente por aqueles que se beneficiariam dele, ao ascenderem ao poder em 2003. Prometiam aos incautos (na época eu fiz parte desse grupo de incautos, por opção equivocada) o melhor dos mundos.
Na época o mundo que trabalha sério desconfiou das intenções daquele grupo de pessoas que tinham em Lula e José Dirceu as maiores estrelas. Espertamente, a dupla então inseparável, arrumou um marqueteiro que até então era execrado por eles e pelo seu partido. A peso de muito dinheiro fez uma campanha de melhoria da imagem do “sapo barbudo” que era assessorado pelo que se auto definia como guerrilheiro. Elaboraram uma “carta aos brasileiros” em que se comprometiam, caso eleitos, respeitarem um conjunto de regras a que haviam sido contrários, não fazia muito tempo. Os brasileiros céticos com eles começaram a acreditar que eles haviam mudado, e as pesquisas de intenção de votos sinalizavam que tinham alta chance de ganhar as eleições. Todos que apoiávamos o projeto que se dizia moralizante, da ética, do respeito à coisa pública, contra as formas tradicionais de fazer política que se manifestavam então, contra os políticos tradicionais que continuavam gravitando e tendo poder, finalmente, vislumbramos que havia chegada a hora da virada de rumo no Brasil.
O ex-operário (mesmo não tendo exercido a profissão da forma que queria nos fazer crer) seria a salvação de todos aqueles fundamentos. Tendo Zé Dirceu na retaguarda e um partido que tinha a ética como apelo, faria o Brasil entrar para o grupo de países em que se respeitam fundamentos minimamente aceitáveis de democracia. Nas proximidades da votação do segundo turno, a atriz Regina Duarte, jogou todo o seu prestigio apoiando o candidato da oposição e foi para a televisão dizer que estava com medo do que poderia acontecer com o Brasil se aquela trupe assumisse o poder.
Na época foi um Deus nos acuda. A chamada esquerda, a mesma que se aliaria àqueles que serviram aos políticos que execravam antes, a execrou publicamente.. Ficou sem condições de exercitar a sua profissão. Ela estava certíssima. O tempo mostraria.
O presidente eleito, falante, e sempre agredindo à língua, se sentia com super poderes. O “capitão do time”, com a conivência dele, começou a preparar a terrível história que estamos conhecendo agora. O que se constata é que jamais tiveram plano algum para o Brasil. Queriam apenas o poder pelas benesses que ele, o poder, proporciona. Todos estão muito ricos. Nada fizeram para mudar a infraestrutura produtiva do país. Para dar continuidade ao seu projeto pessoal de poder, mesmo depois que terminasse o seu mandato, impôs aos brasileiros uma candidata totalmente despreparada para ser Presidente. Os resultados de todo este conjunto de irresponsabilidades estamos colhendo agora. Principalmente aqueles que, supostamente, seriam os beneficiários das suas ações assistencialistas. A inflação lhes coroe a renda.
Em apenas três meses o governo desmoronou, devido às ancoras de mentiras que sustentaram a campanha. Os escândalos que foram fomentados sob a responsabilidade de ambos (atual e ex-presidente), foram trazidos à tona. As cifras bilionárias das propinas nos estarrecem. O Panelaço de ontem reflete este descontentamento. A crise tem criador, criatura, mentores, coloração e numeração partidária. Com essa gente que a inventou continuando no poder não sairemos dela. As ruas ajudarão muito a tirá-los.
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