CRITICAS

Base aliada no Senado acredita que pacote do governo muda pauta tóxica

Mas parlamentares do DEM e do PSDB criticaram a medida

O anúncio do governo sobre o novo pacote de concessões para investimentos em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, feito hoje (9/6) no Palácio do Planalto, foi visto no Congresso como uma boa iniciativa para sair da chamada “pauta tóxica”, que vinha dominando os debates políticos. Para os senadores da base aliada, a inserção do debate em torno de políticas de investimento encerra a agenda negativa que girou em torno do ajuste fiscal e da retirada de benefícios trabalhistas nos últimos meses. A oposição, entretanto, aposta que o projeto de concessões não será plenamente executado.
Para o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), o pacote vai “animar a economia”, e deve contribuir para o retorno das oportunidades de crescimento, colaborando para a saída da pauta negativa. “Acredito que esse pacote sai da discussão da crise, da retirada de direitos. É uma iniciativa positiva. Uma perspectiva de luz”, afirmou.
No mesmo sentido, o senador Jorge Viana (PT-AC) também ressaltou que “essa é a agenda que o Brasil e o Congresso espera do Executivo”, com o chamamento para que a iniciativa privada colabore com investimentos para a retomada do crescimento econômico. Na opinião dele, as concessões ajudam a virar a página aberta ainda durante o período eleitoral.
Jorge Viana disse que a agenda do Legislativo ainda está contaminada pela eleição, e salientou que “essa agenda tóxica que nós tivemos aí desde a eleição do ano passado até agora tende a ficar cada vez mais para trás – e a página ser virada – quando o governo faz um anúncio importante desse programa de infraestrutura logística, que é a continuidade daquele programa iniciado em 2012”, declarou.
Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), no entanto, o pacote deverá gerar “frustração”. Ele lembrou que em 2012 o governo anunciou iniciativa semelhante, que deveria gerar R$ 200 bilhões em investimentos, e “boa parte dos recursos não foram investidos”.
“O anúncio é sempre espetaculoso; a execução, lastimável do ponto de vista da competência. Se antes houve frustração, imaginamos que agora a frustração poderá ser maior, já que as circunstâncias são outras. Evidentemente, as empresas alcançadas pela Operação Lava-Jato, debilitadas economicamente, não terão recursos suficientes para os investimentos propugnados pelo governo nesse pacote. Num clima de recessão, de inflação que se eleva, de desemprego que se descortina, de taxas de juros que se elevam, certamente as dificuldades para os investimentos se tornam ainda maiores”, criticou o oposicionista.
O líder do DEM, senador Ronaldo Caiado (GO) também criticou a postura do governo e lembrou que a taxa de investimentos em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) no Brasil regressou a índices de 2003. “É como se nada do que aconteceu no país desde então tenha sido sólido o suficiente para se manter”, disse em nota pública. “E quem vai financiar essa empreitada do setor privado será o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], instituição que passa por uma fase de desconfiança, a juros menores do que a inflação e utilizando recursos do Tesouro. Ou seja, do contribuinte. Esse modelo de governo já se esgotou e não há proposta requentada que esconda isso”, completou.
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