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ACUSAÇÃO

Oposição pressiona para convocar ex-presidente Lula na CPI do BNDES

Em evento da CUT, o ex-presidente ainda confirmou possível candidatura à presidência em 2018

Foto: AFP PHOTO/Nelson Almeida.


AFP PHOTO/Nelson Almeida

Lula afirmou não ter intenção de concorrer a um novo mandato

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou as comemorações de 1º de maio promovidas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) para lançar-se, extraoficialmente, como candidato ao Palácio do Planalto em 2018 e rebater as acusações feitas pela revista Época a respeito de um possível envolvimento em investigação por tráfico de influência.

Ele atacou os detratores da presidente Dilma Rousseff, os defensores do impeachment e a “elite brasileira”, que, segundo ele, teme pela sua volta ao poder. “Vou começar a desafiar aqueles que não se conformam com a democracia. Aqueles que, desde a vitória da Dilma, estão pregando a queda da Dilma”, atacou o petista.
Para despistar, Lula afirmou não ter intenção de concorrer a um novo mandato. Mas, pouco depois, deixou o futuro em aberto ao afirmar que cansou de provocações. “Eu estou quietinho no meu canto, mas não me chamem para a briga. Porque sou bom de briga. Eu não tenho intenção de ser candidato a nada. Mas está aceita a convocação”, desafiou Lula.
Irritado com a reportagem publicada pela revista Época de que estaria envolvido em investigação por tráfico de influência, o ex-presidente rebateu as suspeitas do Ministério Público e ainda criticou a imprensa. “Eles querem pegar o Lula, mas me chama para a briga que eu gosto”, disse. “Quero dizer aqui, na frente das crianças: pega dez jornalistas da Veja, da Época, e enfia um dentro do outro que não dá nem 10% da minha honestidade.”
Caso BNDES
As viagens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva bancadas pela empreiteira Odebrecht e suas ações no Caribe e na África renderam a abertura de uma investigação por tráfico internacional de influência. O 1º Ofício de Combate à Corrupção da Procuradoria da República no Distrito Federal abriu a apuração para avaliar a existência de “vantagens econômicas” obtidas pelo maior líder do PT da empreiteira para influir em contratos no exterior, parte deles bancados com dinheiro público do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A oposição quer Lula como alvo da CPI do banco, que pretende investigar supostas irregularidades ocorridas entre 2003 e 2015, durante os governos petistas de Lula e Dilma Rousseff, como empréstimos secretos concedidos pelo BNDES a Cuba, Angola, empresas investigadas na Operação Lava-Jato, empresas de Eike Batista e do setor frigorífico.
Segundo a revista Época, que revelou a investigação do Ministério Público Federal, na noite da última quinta-feira (30/4), os procuradores estão diante de várias suspeitas que incluem até superfaturamento de uma termelétrica na República Dominicana. A obra foi tocada pela Odebrecht. Em Cuba, o objetivo é avaliar o impacto da atuação do ex-presidente em financiamentos do BNDES. “Caso se comprove que o ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva também buscou interferir em atos práticos pelo presidente do mencionado banco (Luciano Coutinho), poder-se-á, em tese, configurar o tipo penal do artigo 332 do Código Penal (tráfico de influência)”, diz o trecho de um documento transcrito pela publicação.
As viagens de Lula pela África e pela América Latina continuaram depois que ele encerrou seu mandato como presidente. O petista foi 114 vezes aos países latinos e 33 aos africanos. O comércio e a cooperação entre o Brasil e essas nações aumentaram, justificam os assessores do ex-presidente. Após deixar o Planalto, Lula continuou com as viagens. Em 2013, o jornal Folha de S.Paulo publicou telegramas que mostravam que quase metade das viagens de Lula no exterior era bancada por empreiteiras com interesses nos países em que ele atuava, como OAS e Camargo Corrêa – hoje todas investigadas na Operação Lava-Jato. Uma correspondência do Itamaraty dizia que o ex-presidente fez “associar seu prestígio” para vencer resistências em Moçambique às empresas brasileiras.
A Odebrecht disse que mantém relação “institucional” e “respeitosa” condizente com a “posição e importância” de Lula. “As palestras patrocinadas pela Odebrecht com líderes políticos brasileiros são similares às promovidas por presidentes e ex-presidentes de países como os Estados Unidos, França e Espanha, entre tantos outros que defendem os interesses nacionais e de suas empresas”, disse a empresa em nota. “Embora o financiamento do BNDES seja um importante diferencial na conquista de projetos internacionais, somente 7% da receita da Construtora Norberto Odebrecht é oriunda de projetos com esta estrutura de financiamento.”
O site do PT reproduziu artigo de Luís Nassif: “É extremamente alto o custo da politização do Ministério Público”. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse que o presidente é firme em suas posições. “É uma injustiça”, disse. “A todo o instante, quando a luta contra a corrupção amplia, vem a mesma cantilena: ‘E o Lula? Cadê o Lula?’.”
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