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MAPITOBA: Norte e Nordeste que não Precisam de “Bolsa Família”

No meio de um turbilhão de más noticias para o Brasil inteiro, e para as regiões mais pobres (Nordeste e Norte) em particular, surge uma boa nova. A fronteira agrícola nos cerrados de Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia, conhecida pelos acrômios MAPITOBA ou MATOPIBA, foi reconhecida oficialmente pelo Ministério da Agricultura (MAPA) e será beneficiada […]

No meio de um turbilhão de más noticias para o Brasil inteiro, e para as regiões mais pobres (Nordeste e Norte) em particular, surge uma boa nova. A fronteira agrícola nos cerrados de Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia, conhecida pelos acrômios MAPITOBA ou MATOPIBA, foi reconhecida oficialmente pelo Ministério da Agricultura (MAPA) e será beneficiada com um plano de desenvolvimento regional.
Uma grande conquista que começou com a chegada de agricultores do Sudeste e do Sul no meado dos anos setenta. Encontraram um ambiente difícil para trabalhar, porque não havia qualquer infraestrutura. Vieram com as famílias, a maioria ainda bem jovem, trazendo na bagagem muitos sonhos… E filhos. Os sonhos costumam ter esta feição. Muitas vezes surgem do nada. Algumas expectativas, e desenham-se castelos na imaginação. Isso, em boa parte dos casos, sem qualquer âncora aparente de sustentação. E vamos em frente. Eu, que sou um sonhador inveterado, sei bem como é isso.
Inclusive nas relações afetivas podem brotar situações assim. De repente alguém que nunca vimos antes surge na nossa frente e, do nada, “sacamos” um sentimento aparentemente esdruxulo e “sem futuro”, como dizemos no Ceará. E não estamos nem ligando se a outra pessoa sequer toma conhecimento do que pensamos sobre ela. Vamos em frente com o nosso sonho e, quem sabe, a pessoa que se mantém totalmente indiferente, um dia percebe que estamos lhe observando com outras vontades. Caso isto venha a acontecer estaremos na porta do Éden.
Aqueles que saíram dos seus locais de origem passaram por isso. Saíram no escuro e se instalaram ali. Fizeram tudo para transformar sonhos em realidade. Passaram por momentos de pesadelos. Talvez em alguns deles “bateu” a vontade de voltar. Muitos pereceram antes de verem concretizados os projetos sonhados com desvelo. Faz parte das aventuras ter desventuras. Os que resistiram, e persistiram, agora colhem (literalmente) os resultados de amores plantados bem lá atrás.
E não é amor de “ficar”. É amor que envolve sentimentos recíprocos, depois de tanta obstinação de quem “começou amar sozinho” e agora ver retribuído o seu afeto. MAPITOBA que, coincidentemente é nome feminino, ganhou aqueles “amantes” e agora lhes retribui com prazer o que lhe foi dado com denodo e obstinação. Nos anos oitenta aquela área era apenas arremedo de algo que poderia um dia dá certo. Até meado dos anos noventa, a participação da produção agrícola da área era marginal. A partir de então os cultivos de milho e de soja, sobretudo desta oleaginosa, despontaram de forma surpreendente. Aproveitando-se dos conhecimentos gerados pelos pesquisadores da EMBRAPA, que domaram a hostilidade dos solos dos cerrados, os agricultores começaram um processo de avanço na produção que se tornou irreversível.
A evolução das áreas com soja, principalmente na MAPITOBA, iniciou em áreas adquiridas por preços muito baratos, comparativamente aos praticados nos locais de onde vieram os pioneiros. Atualmente os produtores continuam adquirindo terras baratas dos agricultores familiares que cultivam as lavouras tradicionais (arroz, feijão, mandioca e milho, principalmente) que são utilizadas, quase sempre, apenas para o autoconsumo familiar. Sem assistência técnica, que deveria ser provida pelos estados, esses agricultores familiares utilizam sementes de baixo potencial genético, preparam as terras de forma rudimentar. Como os solos são pobres, de um ponto de vista químico, a pouca matéria orgânica existente se evapora com o fogo que ainda utilizam para preparar as terras. Essas áreas não suportam mais do que três anos de lavouras sucessivas, fazendo os agricultores itinerantes. Situação que é limitada pelo pequeno tamanho dos lotes que dispõem. Nestas condições ficam vulneráveis ao assédio da compra das suas terras. E as vendem por preços muito baixos, para os produtores de soja que assim “fagocitam” essas áreas e elevam os seus domínios. Com efeito, as áreas com soja na MATOPIBA, que já eram significativas em 2000, num total de 628,40 mil hectares, em 2013 praticamente dobraram para 1.211,30 mil hectares.
A produção de soja na área incrementou de 2.211,3 toneladas para 6.826,1 toneladas entre 2000 e 2013. O rendimento da cultura chegou a 3.150,84 quilogramas por hectare em 2011 que representou 118 por cento da média brasileira daquele ano. Isto significa que se as áreas da MAPITOBA pararem de crescer, o que fatalmente acontecerá, a produção continuará em ascensão porque as tecnologias ali adotadas são algumas das melhores do mundo. A riqueza dos municípios envolvidos experimentou crescimento expressivo. No Maranhão, o maior PIB per capita está em Tasso Fragoso, que lidera a produção de soja no estado. A situação não é muito diferente em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, Campos Lindo em Tocantins, e Bom Jesus no Piauí.
Os agricultores da MAPITOBA não precisam de bolsa família, ao contrario daqueles que praticam agricultura rudimentar e desassistida pelos respectivos estados que, em vez de resolver o problema da assistência técnica, investem no assistencialismo. Mais barato e menos criativo. Uma fonte inesgotável de votos e de formatação de “atores coadjuvantes”, “não protagonistas”, do próprio destino. Massas de manobra.
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