A Polícia Civil do Maranhão encontrou, na residência do ex-diretor-adjunto de uma creche municipal de Timon, uma lista com os nomes das crianças apontadas como vítimas de estupro de vulnerável. Segundo os investigadores, o documento também trazia, ao lado de alguns nomes, anotações relacionadas ao nível de autismo das crianças.
A informação foi divulgada nesta sexta-feira (10), na ocasião da recaptura do suspeito, pelo delegado Cláudio Mendes, titular da 18ª Delegacia Regional de Timon. De acordo com ele, a lista foi apreendida durante as buscas realizadas na casa do investigado no mês passado.
“Encontramos a lista na casa dele no mês passado. Quase todas eram autistas não verbais”, afirmou o delegado.
Alberto Luiz Freitas Monção, de 49 anos, é investigado por abusar sexualmente de 11 crianças, com idades entre 2 e 3 anos, em uma creche municipal localizada no bairro Vila João Reis, em Timon. Conforme a Polícia Civil, a maioria das vítimas é formada por crianças autistas não verbais, condição que dificultava a comunicação e a descoberta dos crimes.
Na sexta-feira, o investigado foi recapturado em Teresina (PI), após permanecer cinco dias foragido da Justiça. Ele havia rompido as medidas cautelares impostas após a revogação de sua prisão preventiva, ao desligar a tornozeleira eletrônica que utilizava por determinação judicial.
Entenda o caso
Alberto Luiz foi preso pela primeira vez em maio deste ano durante uma operação da Polícia Civil do Maranhão que investigava denúncias de abusos sexuais contra crianças na unidade de ensino.
Segundo o inquérito, imagens do circuito interno de segurança mostraram o então diretor-adjunto retirando crianças das salas de aula e levando-as até um depósito localizado ao lado da diretoria. O ambiente teria sido escolhido por não possuir cobertura das câmeras de monitoramento, sendo considerado um ponto cego da creche.
A investigação aponta que o suspeito permanecia sozinho com as crianças por alguns minutos e, em seguida, as devolvia às salas de aula. Ainda conforme a polícia, ele oferecia presentes às vítimas para tentar impedir que os abusos fossem relatados.
Antes da nova prisão, a Justiça havia revogado a prisão preventiva de Alberto Luiz por entender que o Ministério Público não apresentou a denúncia dentro do prazo legal previsto no Código de Processo Penal. Após descumprir as medidas cautelares, ele voltou a ser preso e permanece à disposição da Justiça.