Política · ELEIÇÕES 2026

Pré-candidatos do Maranhão apostam em “vaquinhas virtuais” para viabilizar campanhas

Arrecadação por financiamento coletivo é a única forma permitida pela Justiça Eleitoral para captação de recursos durante a pré-campanha. Confira o que diz a legislação

(Foto: Marcelo Camargo)
(Foto: Marcelo Camargo)

Os pré-candidatos maranhenses já começaram a buscar nas chamadas “vaquinhas virtuais” uma alternativa para viabilizar financeiramente as campanhas das eleições de 2026. Alguns deles já lançaram plataformas de arrecadação pelas redes sociais, aproveitando a autorização da Justiça Eleitoral, em vigor desde 15 de maio.

Pela legislação, o financiamento coletivo é a única modalidade de arrecadação financeira permitida aos pré-candidatos antes do início oficial da campanha, marcado para 16 de agosto. Regulamentada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por meio da Resolução nº 23.607/2019, com atualizações válidas para o pleito deste ano, a modalidade foi criada após a proibição das doações empresariais e tem como objetivo ampliar as possibilidades de financiamento para candidatos com menor acesso aos recursos partidários.

Na prática, funciona como uma campanha de arrecadação coletiva semelhante às utilizadas para projetos culturais ou causas sociais, mas submetida a rígidos mecanismos de controle, fiscalização e transparência.

Embora o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) continue sendo a principal fonte de recursos das eleições brasileiras, especialistas apontam que as vaquinhas cumprem uma função diferente dentro do processo eleitoral.

Além de permitir que candidatos iniciem a arrecadação meses antes da campanha oficial, elas funcionam como um termômetro político. Um bom desempenho nas plataformas pode demonstrar capacidade de mobilização, fortalecer a imagem do pré-candidato perante o eleitorado e até influenciar a distribuição futura dos recursos do próprio Fundo Eleitoral pelos diretórios partidários.

A disputa pelos recursos internos dos partidos também explica o crescimento do interesse pelas plataformas de crowdfunding. A distribuição do Fundo Eleitoral é concentrada nas direções nacionais das legendas, que costumam priorizar candidatos com mandato, maior potencial eleitoral ou influência política. Dessa forma, pré-candidatos estreantes ou que não pertencem aos grupos majoritários das siglas recorrem ao financiamento coletivo para reduzir a dependência das decisões partidárias e iniciar a construção financeira da campanha.

Nas eleições de 2026, o Fundo Eleitoral ultrapassa novamente a casa dos bilhões de reais. O Partido Liberal (PL) ficará com a maior parcela dos recursos, cerca de R$ 881,7 milhões, seguido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), com R$ 615,4 milhões, e pelo União Brasil, que receberá aproximadamente R$ 526,2 milhões. Em seguida aparecem PSD, Progressistas (PP) e MDB, enquanto partidos de menor representação no Congresso terão direito apenas à cota mínima.

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