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EUA devem anunciar em breve decisão sobre novas tarifas para produtos brasileiros

Governo norte-americano afirma que negociações com o Brasil seguem sem consenso e prazo para definição termina em 15 de julho

(Foto: COFFRINI / AFP)
(Foto: COFFRINI / AFP)

A definição do governo dos Estados Unidos sobre a aplicação de novas tarifas às importações de produtos brasileiros deve ocorrer nos próximos dias. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (9) por Jamieson Greer, representante do Departamento de Comércio norte-americano. Segundo ele, as negociações entre os dois países ainda não avançaram o suficiente para um acordo, e a decisão precisa ser tomada até 15 de julho, conforme estabelece a legislação dos Estados Unidos.

Em entrevista à Fox Business Network, Greer afirmou que as conversas continuam, mas ressaltou que ainda existe uma diferença significativa entre as propostas apresentadas pelos governos brasileiro e norte-americano. Diante desse cenário, a expectativa é de que a decisão oficial seja divulgada em breve.

O impasse teve início após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar, em 1º de junho, a intenção de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi baseada em uma investigação que envolve temas como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos Pix. No dia seguinte, o governo norte-americano anunciou uma tarifa adicional de 12,5% para produtos de 60 países, incluindo o Brasil, alegando falhas no combate ao trabalho forçado.

Apesar das propostas de aumento das tarifas, os Estados Unidos divulgaram uma lista de exceções para determinados produtos, buscando minimizar os impactos sobre os preços no mercado interno.

As negociações continuam paralelamente às audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), iniciadas na última segunda-feira (6). As sessões reúnem representantes de entidades brasileiras e norte-americanas de setores como café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual.

Durante as audiências, o presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Abrão Neto, afirmou que a adoção das novas tarifas poderá gerar impactos negativos para as economias dos dois países. Segundo ele, a medida prejudicaria tanto o setor produtivo quanto os consumidores norte-americanos, além de reduzir a competitividade dos produtos brasileiros em um mercado considerado estratégico.

Abrão Neto também destacou que a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu para 11,2% nos cinco primeiros meses de 2026, o menor índice já registrado para esse período. No mesmo intervalo, as importações brasileiras de produtos norte-americanos apresentaram retração de 11%.

*Fonte: Correio Braziliense