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Câncer de cabeça e pescoço: Maranhão deve registrar mais de 2,3 mil novos casos até 2028

No Brasil, as estimativas apontam para aproximadamente 126.450 novos casos no mesmo período (média de 42.150 por ano)

Oito em cada dez brasileiros descobrem câncer de cabeça e pescoço em estágio avançado; país deve registrar mais de 126 mil novos casos até 2028 (Foto: Reprodução)
Oito em cada dez brasileiros descobrem câncer de cabeça e pescoço em estágio avançado; país deve registrar mais de 126 mil novos casos até 2028 (Foto: Reprodução)

Rouquidão persistente, uma ferida na boca que não cicatriza, dificuldade para engolir ou um caroço no pescoço costumam ser encarados como problemas passageiros. Em muitos casos, porém, esses sinais escondem um dos grupos de tumores mais agressivos: os cânceres de cabeça e pescoço.

Segundo projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA), entre 2026 e 2028, o Maranhão deve registrar 2.310 novos casos de câncer da cavidade oral, tireoide e laringe — o equivalente a uma média de 770 diagnósticos por ano.

No Brasil, as estimativas apontam para aproximadamente 126.450 novos casos no mesmo período (média de 42.150 por ano).

O desafio do diagnóstico tardio

O grande obstáculo no combate a esse grupo de tumores é que a doença continua sendo descoberta tarde demais. Estima-se que oito em cada dez pacientes recebam o diagnóstico em estágio avançado, quando o tratamento se torna mais complexo, aumenta o risco de sequelas e diminuem as chances de cura.

“O grande inimigo continua sendo o diagnóstico tardio. Muitos pacientes convivem durante meses com sinais aparentemente simples, como rouquidão ou pequenas lesões na boca, sem imaginar que podem estar diante de um câncer. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de preservar funções importantes, como falar, mastigar, respirar e engolir, além de aumentar significativamente as chances de cura”, explica Janini Rosas, cirurgiã-dentista e membro da Organização Nacional de Acreditaria (ONA).

Panoramas por tipo de tumor

1. Câncer de Cavidade Oral

Atinge lábios, língua, gengiva, céu da boca, mucosa oral, glândulas salivares e orofaringe. Nacionalmente, deve atingir cerca de 17,2 mil brasileiros por ano no triênio 2026-2028, afetando desproporcionalmente os homens (12,3 mil casos/ano contra 4,9 mil entre mulheres). Na região Nordeste, figura como o quinto câncer mais incidente entre a população masculina.

  • Fatores de risco: Uso do tabaco (principal vilão), consumo excessivo de álcool, exposição solar sem proteção (câncer de lábio), infecção por HPV (especialmente subtipo 16), obesidade, carnes processadas e bebidas muito quentes.
  • Sinais de alerta: Feridas que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas brancas ou avermelhadas, dor persistente e dificuldade para engolir.

2. Câncer de Tireoide

Apesar de ter uma das maiores taxas de cura quando descoberto precocemente, deve registrar 16,4 mil novos casos por ano no país. O grande destaque do tumor de tireoide é a incidência do gênero: quatro em cada cinco casos ocorrem em mulheres (13,3 mil diagnósticos femininos anuais contra 3,1 mil masculinos). É um dos principais cânceres que afetam as mulheres no Nordeste.

  • Fatores de risco: Exposição à radiação no pescoço (sobretudo na infância), histórico familiar, alterações genéticas e deficiência de iodo.
  • Sinais de alerta: Nódulo aparente no pescoço, rouquidão persistente, dificuldade para engolir/respirar e aumento dos linfonodos cervicais.

3. Câncer de Laringe

Com estimativa de 8,5 mil novos casos anuais no Brasil, afeta majoritariamente os homens (86% dos diagnósticos). Está entre as dez neoplasias mais incidentes na população masculina no Nordeste.

  • Fatores de risco: Tabagismo e consumo excessivo de álcool (a combinação de ambos multiplica os riscos).
  • Sinais de alerta: Rouquidão por mais de duas a três semanas, dor de garganta contínua, sensação de corpo estranho na garganta e falta de ar.

Julho Verde

Durante a campanha do Julho Verde, a Dra. Janini Rosas reforça que a informação é a principal ferramenta para reverter o alto índice de diagnósticos tardios.

Para os pacientes diagnosticados no Maranhão e no restante do país, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento integral, que inclui:

  • Renda: 25% das vagas reservadas são destinadas a estudantes de famílias com renda por pessoa de até dois salários mínimos.
  • Étnico-racial: cotas destinadas a candidatos indígenas, quilombolas e autodeclarados pretos ou pardos, respeitando a proporção desses grupos na população maranhense.
  • Pessoas com Deficiência (PCD): reserva de 5% do total de vagas.

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