Saúde · 2 de julho

Apenas 16 unidades de saúde do MA possuem selo de qualidade hospitalar

Dia Nacional do Hospital chama atenção para os desafios da gestão hospitalar em um cenário de aumento da demanda e pressão por mais segurança no atendimento.

Hospital Carlos Macieira, em São Luís. (Foto: Divulgação)
Hospital Carlos Macieira, em São Luís. (Foto: Divulgação)

O Maranhão possui apenas 16 estabelecimentos de saúde com certificação da Organização Nacional de Acreditação (ONA), selo que reconhece instituições que atendem a padrões de qualidade e segurança assistencial. O número ganha destaque neste 2 de julho, Dia Nacional do Hospital, em meio aos desafios enfrentados pelo sistema de saúde para manter um atendimento seguro e eficiente diante do envelhecimento da população, do crescimento das doenças crônicas e da incorporação de novas tecnologias.

Em todo o país, existem cerca de 380 mil serviços de saúde cadastrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Desse total, aproximadamente 1.800 instituições são acreditadas pela ONA, entre elas cerca de 477 hospitais. A entidade responde por quase três quartos das certificações realizadas no Brasil e registrou crescimento de 16% nas acreditações ao longo de 2025.

Entre as unidades maranhenses certificadas estão o Hospital Dr. Carlos Macieira e estabelecimentos administrados pela Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (EMSERH).

Embora o número de instituições certificadas venha aumentando, a acreditação ainda alcança uma parcela pequena da rede de saúde brasileira, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e entre hospitais públicos.

“Apesar da evolução observada nos últimos anos, ainda existe um enorme espaço para ampliar a cultura da qualidade e da segurança no país, principalmente entre instituições públicas e nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste”, afirma a gerente-geral de Operações da ONA, Gilvane Lolato.

A adoção de protocolos de qualidade interfere diretamente na rotina hospitalar. A padronização dos processos reduz falhas na administração de medicamentos, ajuda na prevenção de infecções relacionadas à assistência, diminui desperdícios de materiais, evita retrabalho e melhora o fluxo de atendimento aos pacientes.

Esses resultados também refletem na gestão financeira das unidades. Com menos eventos adversos e melhor aproveitamento dos recursos disponíveis, hospitais conseguem ampliar a capacidade de atendimento sem elevar os custos na mesma proporção.

“Os dados demonstram que a acreditação pode produzir efeitos tanto na segurança do paciente quanto na eficiência da operação. Ao reduzir falhas, desperdícios e retrabalho, o hospital consegue utilizar melhor seus recursos e ampliar sua capacidade de atendimento”, explica Lolato.

Os primeiros resultados costumam aparecer entre três e seis meses após a implantação de um sistema estruturado de gestão, período em que processos passam por padronização e começam a ser monitorados. Entre seis meses e um ano, indicadores assistenciais e operacionais tendem a apresentar maior consistência, enquanto os ganhos financeiros surgem gradualmente com a redução de desperdícios e de ocorrências que prolongam internações.

Para a especialista, acompanhar indicadores é fundamental para medir a evolução de cada instituição.

“Cada hospital possui uma realidade diferente. O fundamental é medir a situação antes da implantação, acompanhar os indicadores durante o processo e demonstrar, de forma objetiva, os resultados alcançados.”

Data comemorativa

A data também resgata a história da assistência hospitalar no Brasil. O primeiro hospital do país foi a Santa Casa de Misericórdia de Olinda, fundada em 1540, ainda no período colonial. Já a instituição hospitalar mais antiga em funcionamento contínuo é a Santa Casa de Misericórdia de Santos, criada em 1543 por Brás Cubas.

Hoje, mais do que prestar assistência, os hospitais também precisam equilibrar qualidade, segurança e sustentabilidade. Em um cenário de demanda crescente e recursos limitados, reduzir desperdícios, prevenir falhas e aperfeiçoar a gestão deixou de ser apenas um diferencial e passou a fazer parte das estratégias para garantir atendimento à população.