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Pesquisadora maranhense descobre peixes inéditos e homenageia Mãe Catirina e Dona Teté

Espécies encontradas em rios do Maranhão receberam nomes inspirados em personagens da cultura popular e reforçam a importância da biodiversidade do estado.

reprodução/pc-ma
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Enquanto o Maranhão vive o período das festas juninas, uma descoberta científica chamou atenção pela ligação com a cultura popular do estado. A pesquisadora maranhense Ananda Carolina Serejo Saraiva identificou duas novas espécies de peixes exclusivas dos rios maranhenses e deu a elas nomes inspirados em personagens marcantes das manifestações culturais locais: Mãe Catirina e Dona Teté.

A pesquisa foi desenvolvida durante o doutorado da cientista no Programa de Pós-Graduação em Sistemática e Evolução da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema). O estudo investigou os chamados cascudos do gênero Loricaria presentes nas drenagens costeiras do Nordeste.

A descoberta teve origem ainda no mestrado, quando Ananda analisava espécies encontradas no Maranhão. Na época, os registros apontavam a presença de apenas uma espécie desse grupo em todo o estado.

“Ao analisar os exemplares coletados no Maranhão, observei que muitos deles apresentavam características que não correspondiam às descrições de L. cataphracta. Isso levantou a hipótese de que a diversidade do gênero no estado estava sendo subestimada e de que poderiam existir espécies ainda não reconhecidas pela ciência”, explica a pesquisadora.

Com o avanço dos estudos e a inclusão de análises genéticas, a hipótese foi confirmada. Os exemplares pertenciam a duas linhagens evolutivas distintas, até então desconhecidas pela ciência.

As novas espécies receberam os nomes Loricaria catirina e Loricaria teteae. Ambas pertencem ao grupo dos cascudos, peixes caracterizados pelo corpo alongado e revestido por placas ósseas. Apesar da semelhança visual, elas apresentam diferenças na estrutura corporal e na coloração, características que permitiram sua identificação como espécies distintas.

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Segundo Ananda, a descrição de uma nova espécie exige um processo rigoroso de comparação com organismos já conhecidos.

“A descrição de uma nova espécie exige um processo bastante rigoroso. Os pesquisadores comparam detalhadamente os exemplares estudados com todas as espécies já conhecidas do grupo, analisando características morfológicas, medidas corporais, contagens de estruturas anatômicas e, quando possível, dados moleculares obtidos a partir do DNA”, afirma.

Homenagem ao São João do Maranhão

A escolha dos nomes foi uma forma de homenagear dois símbolos da cultura maranhense. Mãe Catirina é personagem central da lenda do bumba meu boi, enquanto Dona Teté se tornou uma das principais referências do cacuriá no estado.

“Quando surgiu a oportunidade de nomear essas espécies, apresentei a ideia aos meus coautores, que aprovaram a proposta imediatamente. Foi uma forma de unir a riqueza natural e a riqueza cultural do Maranhão, homenageando símbolos que marcaram minha trajetória e representam a identidade do nosso estado”, conta.

A pesquisadora lembra que a homenagem a Dona Teté também tem significado pessoal. Ela cresceu acompanhando apresentações do Cacuriá de Dona Teté nos arraiais do bairro onde morava e sempre admirou sua contribuição para a cultura popular maranhense.

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As duas espécies são consideradas endêmicas, ou seja, só foram registradas no Maranhão. A Loricaria catirina ocorre na bacia do Rio Munim e também na região do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Já a Loricaria teteae foi identificada na bacia do Rio Itapecuru.

“Essa distribuição restrita reforça a importância dos rios maranhenses para a conservação da biodiversidade de peixes de água doce e mostra como diferentes bacias hidrográficas podem abrigar espécies únicas”, alerta.

A cientista destaca que ainda não há informações suficientes para avaliar o grau de ameaça das duas espécies. Por isso, ambas foram classificadas na categoria Dados Insuficientes (DD), o que indica a necessidade de novos estudos sobre distribuição, abundância e ecologia.

Para os pesquisadores, a descoberta reforça a relevância do Maranhão para os estudos sobre biodiversidade. Situado entre a Amazônia, o Cerrado e o Nordeste brasileiro, o estado reúne características que favorecem o surgimento de espécies exclusivas e ainda pouco conhecidas pela ciência.

*Fonte: Secma