Equipes da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), integradas por um delegado e agentes, compareceram à residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, na tarde desta terça-feira (23), para realizar o seu depoimento formal. A oitiva ocorreu de forma presencial e durou cerca de 40 minutos, contando com o acompanhamento dos advogados de defesa do político do PL. O procedimento faz parte do inquérito que apura a apreensão de uma arma de fogo de sua propriedade durante uma fiscalização de trânsito.
A oitiva foi realizada na véspera do encerramento do prazo de 90 dias da prisão domiciliar humanitária temporária aplicada a Bolsonaro, que expira nesta quarta-feira (24). A expectativa de analistas políticos e jurídicos é que o teor das declarações prestadas aos investigadores possa influenciar a próxima manifestação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a respeito da manutenção ou alteração do regime de cumprimento da pena do ex-mandatário.
Como a investigação corre inicialmente na esfera jurisdicional do Distrito Federal, os arquivos do interrogatório não são remetidos de forma automática para o STF.
No entanto, em razão do perfil do investigado e das decisões correlatas tomadas pela Suprema Corte, há uma forte previsão nos bastidores jurídicos de que o ministro Alexandre de Moraes requisite formalmente o compartilhamento de todo o material colhido pelos policiais civis para anexação aos processos sob sua relatoria.