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Mulher que envenenou família com ovo de Páscoa e matou duas crianças é condenada a 66 anos de prisão

O Conselho de Sentença reconheceu que a acusada praticou tentativa de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe

Jordelia Pereira Barbosa, de 35 anos, foi presa na cidade de Santa Inês, na região do Médio Mearim (Foto: Reprodução)
Jordelia Pereira Barbosa, de 35 anos, foi presa na cidade de Santa Inês, na região do Médio Mearim (Foto: Reprodução)

A 3ª Vara Criminal da Comarca de Imperatriz condenou, nessa segunda-feira (22), Jordélia Pereira Barbosa pelos crimes de duplo homicídio qualificado consumado contra duas crianças e tentativa de homicídio qualificado contra a mãe das vítimas. A pena total foi fixada em 66 anos, 8 meses e 7 dias de reclusão, em regime inicial fechado. De acordo com a denúncia, a condenada enviou um ovo de Páscoa envenenado para a residência de Mirian Lira Rocha, em Imperatriz, por intermédio de um mototaxista.

Julgamento finalizou por volta das 22h dessa segunda-feira (22) (Foto: Divulgação)

O doce foi consumido pela família e causou a morte de Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e de Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos. Mirian também ingeriu o produto, mas sobreviveu após receber atendimento médico de urgência e ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu que a acusada praticou tentativa de homicídio triplamente qualificado contra Mirian, por motivo torpe, com emprego de veneno e mediante dissimulação. Os jurados concluíram que a morte da vítima não ocorreu apenas em razão do rápido socorro médico prestado.

(Foto: Divulgação)

Em relação às duas crianças, os jurados reconheceram a prática de duplo homicídio quadruplamente qualificado, apontando que a ré assumiu o risco de provocar a morte dos menores ao enviar o alimento envenenado para a residência onde eles viviam com a mãe. Para o caso dos menores, foram reconhecidas as qualificadoras de motivo torpe, uso de veneno, dissimulação e o fato de as vítimas serem menores de 14 anos.

Na sentença, o magistrado destacou o elevado grau de planejamento da ação criminosa, visto que a condenada se deslocou de Santa Inês para Imperatriz, utilizou disfarces, se hospedou em um hotel com identidade falsa e monitorou a rotina da vítima antes de praticar o crime.

A pena foi individualizada em 14 anos, 9 meses e 25 dias pela tentativa de homicídio contra Mirian; 25 anos, 11 meses e 6 dias pela morte de Luiz Fernando; e 25 anos, 11 meses e 6 dias pela morte de Evillyn. Como os crimes foram considerados praticados com desígnios autônomos em relação a cada vítima, as penas foram somadas, resultando na condenação final.

O juiz também manteve a prisão preventiva da condenada e negou o direito de recorrer em liberdade, determinando o início imediato do cumprimento da pena em conformidade com o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a execução das condenações impostas pelo Tribunal do Júri. A acusação foi representada pelos promotores de Justiça Tiago Quintanilha Nogueira e Gabriele Gadelha Barboza de Almeida.

Além da pena privativa de liberdade, foi fixada uma indenização mínima por danos morais no valor de 100 salários mínimos para Mirian Lira Rocha e de 400 salários mínimos para os pais das duas vítimas fatais, em razão dos prejuízos físicos, psicológicos e da perda irreparável sofrida pela família.

A sentença foi proferida pelo juiz Fábio da Costa Vilar, que presidiu a sessão do Tribunal do Júri da 3ª Vara Criminal de Imperatriz.

Relembre o crime

Jordélia Pereira Barbosa é acusada de envenenar três membros de uma mesma família; a mãe, identificada como Mirian Lira Rocha, de 38 anos e os seus dois filhos: Luís Fernando Rocha Silva de 7 anos e Evely Fernanda, de 13 anos. Os três consumiram um ovo de Páscoa em Imperatriz. Jordélia seria a ex do atual companheiro de Mirian Lira.

Luís Fernando foi a primeira vítima. A irmã, Evely Fernanda não resistiu ao envenenamento e foi a óbito no dia 22 de abril. Evely estava internada desde o dia 16 de abril, data em que comeu o ovo envenenado. De acordo com o boletim médico, a paciente teve choque vascular refratário associado a múltipla falência dos órgãos.

A mãe das crianças, Mirian Lira Rocha, de 38 anos, também sofreu intoxicação e esteve internada; ela recebeu liberação para acompanhar o velório e o enterro da filha.

* Fonte: TJMA

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