A Copa do Mundo 2026 começa nesta quinta-feira (11), mas o clima do torneio já tomou conta de ruas e bairros de São Luís. Em diferentes pontos da capital maranhense, moradores se mobilizam para manter viva uma tradição que atravessa gerações e colore os espaços públicos com as cores da Seleção Brasileira.
Bandeirinhas, pinturas e mensagens espalhadas por ruas, calçadas e fachadas transformam a paisagem urbana e reforçam o sentimento coletivo em torno do futebol. Para além da expectativa pelo desempenho da Seleção, a iniciativa movimenta comunidades inteiras e resgata um costume que marcou diversas Copas do Mundo no país.

No Anjo da Guarda, um dos bairros mais culturais da ilha, dezenas de moradores se reúnem para preparar a decoração de várias ruas da região. O trabalho coletivo envolve a confecção de bandeirinhas e a ornamentação dos espaços, em um esforço que supera a esfera do esporte e fortalece os laços entre os vizinhos.
Para Geylthon Duarte, morador da Rua da Uva, uma das vias que foram decoradas neste ano, a tradição continua sendo um momento de encontro e convivência para a comunidade, mesmo em meio à rotina corrida dos moradores.
“É uma alegria muito grande. Hoje em dia a gente vê cada um correndo com seus compromissos, mas a Copa tem esse poder de unir as pessoas. Ver os vizinhos juntos, conversando, trabalhando, fazendo bandeirinhas e pintando a rua faz a gente lembrar dos bons tempos e fortalece a amizade entre todos.”
O autônomo lembra que as decorações em verde e amarelo fazem parte da história do bairro e representam uma herança mantida ao longo das décadas.
“Muitos dos moradores mais antigos estão aqui desde 1973 e já viveram várias Copas. Hoje em dia, a quantidade de gente participando mudou e a forma de fazer as coisas também, mas o sentimento continua o mesmo: a união, a esperança e a vontade de torcer pelo Brasil juntos”
Embora tenha perdido força em comparação com décadas passadas, o costume de decorar ruas, vielas, quadras e outros espaços públicos durante a Copa do Mundo resiste e continua presente em diferentes bairros da cidade. Movidos pela nostalgia ou pela curiosidade de vivenciar a experiência pela primeira vez, moradores de diferentes gerações dedicam horas à preparação dos enfeites e à organização dessas áreas.

Geylthon reforça que cada bandeirinha colocada nas ruas representa o esforço coletivo da população. Todo o material utilizado na decoração foi adquirido por meio de uma vaquinha organizada pela própria comunidade.
“É um momento em que as famílias se aproximam, as crianças participam e o bairro se fortalece. Se a gente não mantiver essa tradição, acaba perdendo um pouco da nossa identidade.”
Ruas do bairro têm nomes de rivais da Seleção
Uma curiosidade que torna a mobilização ainda mais especial no Anjo da Guarda está nos nomes das próprias ruas do bairro. Criado na década de 1970, o conjunto possui vias batizadas em homenagem a diversos países.
Entre os adversários que estarão no caminho da Seleção Brasileira na fase de grupos do Mundial de 2026, alguns já fazem parte do cotidiano dos moradores. É o caso das ruas Marrocos, Haiti e Escócia, países que dividem o grupo do Brasil e que estarão no roteiro da equipe comandada por Carlo Ancelotti na busca por uma vaga nas oitavas de final.

A coincidência chama a atenção dos moradores, especialmente porque o primeiro compromisso brasileiro na competição será justamente contra Marrocos, no próximo sábado (13). Para quem acompanha a preparação da decoração no bairro, a relação entre a Copa e os nomes das ruas acaba rendendo brincadeiras e deixa o clima do torneio ainda mais presente no dia a dia da comunidade.
“É uma coincidência muito legal. A gente tem ruas com nomes de vários países e, em um ano de Copa do Mundo, isso ganha um significado ainda mais especial. Parece que o bairro inteiro entra no clima da competição.”
Segundo Geylthon, a presença das ruas com nomes de países também costuma alimentar rivalidades amistosas entre os moradores durante o Mundial.
“Sempre surge uma brincadeira saudável entre os moradores, quando chega essa época. O pessoal faz piada, aposta um refrigerante, diz que uma rua vai torcer contra a outra. É tudo na diversão e ajuda a deixar o clima ainda mais animado.”
No bairro, a expectativa para os jogos da Seleção Brasileira é grande. Para Geylthon Duarte, porém, a manutenção da tradição já representa uma vitória para a comunidade.
“Claro que a gente sonha com o hexa, mas acima de tudo queremos mostrar que a união ainda existe. Nossa mensagem é essa: quando as pessoas se juntam por um objetivo comum, conseguem fazer coisas bonitas apenas com a força da colaboração e do amor pelo lugar onde vivem.”