A edição 2026 do Balaio de Sotaques, promovido pelo Serviço Social do Comércio do Maranhão (Sesc-MA), começa nesta sexta-feira (5) com uma homenagem a quatro grandes nomes da cultura popular maranhense. A cerimônia será realizada a partir das 18h, no Teatro Sesc Napoleão Ewerton, em São Luís.
Recebem o reconhecimento a Mestra Mãe Duca, do Bumba-meu-boi Mimo de Santo Antônio; a bordadeira Maria Luiza Santos Abreu, do Bumba-meu-boi Rama Santa; o Mestre Tunico, do Tambor de Crioula da Fé em Deus; e o Mestre Gilmar Rocha, da Dança do Lelê de São Simão.
Cada homenageado receberá um incentivo simbólico de R$ 5 mil (cinco mil reais), ressaltando a importância da preservação desses saberes que são transmitidos de geração em geração e constituem parte essencial da identidade cultural maranhense.
A noite terá, ainda, discotecagem de abertura com a jornalista, pesquisadora musical, curadora e DJ maranhense Vanessa Serra e show de encerramento com o cantor, compositor e violonista maranhense Roberto Ricci – outro destaque será a apresentação de um vídeo-memória sobre os homenageados.
Homenageados
O toque especial de abertura da edição 2026 do Balaio de Sotaques com a “Homenagem aos Mestres e Mestras da Cultura Maranhense” marca um momento especial – e inédito – de valorização a nomes que contribuíram na preservação dos saberes ancestrais. São eles:
Mestra Mãe Duca – Maria José Costa Pacheco, do Bumba-Meu-Boi Mimo de Santo Antônio (sotaque da Baixada): conhecida popularmente como Mestre Duca, nasceu em São João Batista, no povoado São Joaquim. Teve seu primeiro contato com o bumba boi através do seu pai (Marcos Marcelo Costa), no boi Brilho da Noite de São João Batista. Em 1996, já em São Luís, fez parte do grupo Boi de Vicentina, do saudoso José Ribamar, que era conhecido como “Camaliete”. Mestre Duca foi também integrante do Boi União da Baixada, do Boi Oriente e do Boi de Santa Fé. Em 1997, por iniciativa do seu guia espiritual (Lorenço Légua), criou o seu próprio grupo Boizinho Encantado Mimo de Santo Antônio, que segue participando de festas pelos arraiais, igrejas e Casas de Matrizes Africanas em São Luís.

Maria Luiza Santos Abreu – Bordadeira do Bumba-Meu-Boi Rama Santa (Costa de Mão): Nascida em 1959, na comunidade Cabanil, em Serrano do Maranhão, Maria Luiza é uma das mais expressivas vozes do artesanato aplicado ao Bumba-Meu-Boi. Com uma trajetória de mais de 46 anos dedicada à agulha e linha, iniciou sua prática de forma autodidata ao desmanchar indumentárias de vaqueiro para aprender a estrutura dos pontos. Especialista no tradicional sotaque Costa de Mão, domina a arte de bordar com miçangas, canutilhos e pedrarias, atuando há mais de uma década como bordadeira-chefe do Boi Rama Santa. Ex-lavradora e mãe de sete filhos, Maria Luiza transformou seu ofício em uma ferramenta de empreendedorismo e sustentabilidade, gerando renda e inspirando outras mulheres de sua comunidade. Devota de São João, une o sagrado e o profano em suas criações e dedica-se, atualmente, à salvaguarda desse saber ancestral, ministrando oficinas para crianças e jovens a fim de garantir a continuidade e a beleza do folclore do Maranhão.

Mestre Seu Tunico – Antônio Ribeiro, do Tambor de Crioula da Fé em Deus: Antônio Ribeiro, popularmente conhecido como Tunico, nasceu em 1937, em Pinheiro, filho de Tomé Francisco Ribeiro e Raimunda Dorotéia Ferreira. Aos 8 anos, começou sua trajetória como brincante de Boi de Zabumba, no grupo de dona Efigênia, no povoado Caruma, como “Tapuio” – lá, permaneceu por 15 anos. Depois, brincou no grupo de Euri Carvalho, no povoado Mundico, como “Vaqueiro”, porém já tirava algumas toadas onde ali permaneceu por cinco anos. Em abril de 1965, a convite do saudoso Laurentino Araújo, dono do batalhão da Fé em Deus, veio brincar em São Luís. Neste mesmo ano, atuou como “Vaqueiro”, e no ano seguinte, iniciou sua vida como cantador oficial de bumba boi no grupo da Fé em Deus. No ano seguinte, foi eleito como chefe dos cabeceiras do batalhão, onde também esteve por 6 anos como responsável principal do grupo confiado por Laurentino dono do boi. Anos depois foi consagrado como Mestre, por suas toadas e seus saberes tanto em Bumba Boi de Zabumba, quanto em Tambor de Crioula, permanecendo neste grupo até os dias atuais.
Mestre Gilmar Rocha – Gilmar Rocha Ribeiro, da Dança do Lelê de São Simão: É músico, cantador e luthier maranhense, natural do povoado de São Simão, em Rosário. Com uma trajetória profissional iniciada em 1995, consolidou-se como uma figura central na preservação das tradições do Lelê e do Bumba-Meu-Boi de orquestra. Multi-instrumentista, Gilmar domina o violão, cavaquinho e instrumentos de percussão, além de fabricar o próprio banjo tenor, elemento essencial da sonoridade regional. Ao longo de três décadas, emprestou sua voz e talento a diversos grupos, como o Boi de São Simão, o Boi Encanto da Vila Passos e o Boi Novilho dos Lençóis. Atualmente, exerce a presidência da Dança do Lelê de São Simão, posto assumido após o convite do mestre Laurentino Sacramento em 2010, e atua como cantador do Bumba-Meu-Boi de Presidente Juscelino.

Balaio de Sotaques 2026
Tradicional no calendário junino maranhense desde a década de 1980, o Balaio de Sotaques reúne apresentações de bumba-meu-boi, tambor de crioula, cacuriá, quadrilhas juninas, dança do lelê e outras manifestações populares. Em 2026, a programação também inclui a Dança de São Gonçalo, de Viana, novidade desta edição.
As atividades ocorrem em diferentes espaços do Sesc e em comunidades da Grande Ilha. No Sesc Deodoro e no Sesc Olho d’Água, a programação está marcada para os dias 18, 19 e 20 de junho. O arraial do Sesc Comunidade, na Raposa, acontece em 21 de junho. O calendário inclui ainda o Arraial das Gerações, em 17 de junho, além de programações em Itapecuru-Mirim e Caxias.