Em alusão ao Dia Nacional do Reggae, celebrado neste 11 de maio, o cantor e compositor Levi James sobe ao palco do Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM) na próxima quinta-feira (14), às 19h. O artista apresenta o espetáculo “Manguezais”, uma imersão sonora que une as batidas do reggae à força da cultura popular maranhense.
O show é fruto das vivências de Levi na periferia de São Luís e utiliza a metáfora dos “manguezais urbanos” para costurar uma narrativa que transita entre a denúncia social, o afeto e a resistência. Com um repertório autoral, o artista busca reforçar a identidade cultural local e a conexão do ritmo jamaicano com a realidade da capital maranhense.
Identidade e poesia
Para Levi James, “Manguezais” não é apenas uma apresentação musical, mas uma afirmação de território. O espetáculo propõe uma viagem poética pela paisagem urbana de São Luís, destacando as lutas e as belezas das comunidades periféricas. A influência do reggae, que rendeu à cidade o título de Jamaica Brasileira, aparece de forma orgânica, fundindo-se a elementos rítmicos que definem o som do estado.
Dia Nacional do Reggae
Em 2012, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei 12.630, instituindo o 11 de maio como o Dia Nacional do Reggae, em homenagem ao ritmo difundido mundialmente por Bob Marley, que morreu nesse dia aos 36 anos. O projeto havia sido proposto em 2008 pelo então deputado Rodrigo Rollemberg, que destacou que artistas como Cidade Negra, Edson Gomes e Gilberto Gil continuam a levar, através do reggae, mensagens de paz, amor e críticas sociais da mesma forma que Marley já fazia há décadas.
O Brasil, portanto, não celebra apenas um cantor: celebra o que o reggae se tornou em solo brasileiro, especialmente em um estado que fez do ritmo jamaicano uma identidade própria, irrepetível e profundamente negra.
Quando o reggae começou a circular pelo mundo, foi no Maranhão que ele criou raízes mais profundas do que em qualquer outro estado brasileiro. Pesquisadores apontam que o ritmo chegou ao estado nos anos 1970 pelos vinis que marinheiros vindos da Guiana e do Caribe trocavam por comida e serviços nos portos do estado, embora haja também relatos de maranhenses que captavam rádios caribenhas durante a madrugada. O curador do Museu do Reggae do Maranhão, Ademar Danilo, prefere não resolver o mistério, porque cultura não é matemática e não precisa ser exata.
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