O Farol Santander São Paulo recebe a exposição A Invenção do Novo Mundo: Mapas da Coleção Santander, uma ampla e inédita mostra que reúne um conjunto expressivo de obras cartográficas dos séculos XVI, XVII e XVIII, período conhecido como a era de ouro da cartografia ocidental. Com curadoria de Helena Severo e Maria Eduarda Marques, organização da Oficina de Arte e produção da AYO Cultural, a exposição ocupa a galeria do andar 24 do icônico edifício e apresenta ao público uma rara oportunidade de percorrer a formação do imaginário sobre o território brasileiro por meio de mapas históricos. A mostra, apresentada pelo Ministério da Cultura via Lei Rouanet e com patrocínio do Santander Brasil, fica em exibição até o dia 26 de julho de 2026.
O recorte da curadoria tem como eixo central o relevante acervo da Coleção Santander Brasil, com um espaço inteiramente dedicado ao “Brasil Holandês”, região do Nordeste brasileiro correspondente ao sul do Maranhão até Sergipe, envolvendo principalmente o Pernambuco e ocupada pelos holandeses entre os anos de 1630 e 1654. A presença holandesa no Brasil impulsionou a criação de mapas mais detalhados e ricos em informações visuais, especialmente durante o governo de Maurício de Nassau, que trouxe artistas e cientistas para produzirem registros in loco da paisagem, da fauna, da f lora e dos aspectos sociais e econômicos da colônia. Neste período, Amsterdam se tornava o centro da produção cartográfica no mundo e figuras como Georg Marcgraf, Willem Piso e Albert Eckhout vieram ao Brasil para ampliar e aprimorar os registros cartográficos no litoral do Nordeste.

Ao todo, são mais de 50 trabalhos — entre mapas, cartas náuticas, vistas e planisférios — que evidenciam a riqueza documental, estética e simbólica da cartografia produzida ao longo de três séculos. Logo na entrada, o público é recebido pela projeção de um planisfério feito pelo alemão Sebastian Munster, pertencente ao acervo da Biblioteca Nacional, que antecipa a dimensão histórica e visual da exposição. Produzido no Séc. XVI, a obra evidencia as características da cartografia no período, com fantasia, bestiário, perigos, fascínio e imprecisão. Ao longo do percurso, elementos expográficos ampliam essa experiência, como cortinas estampadas e uma tapeçaria que reforça o caráter imersivo da mostra. “No Santander, acreditamos que preservar e compartilhar a cultura é ampliar o acesso ao conhecimento e às diferentes formas de compreender a história. Ao compartilhar este acervo, reafirmamos nosso papel como guardião de bens culturais e como ponte entre história, conhecimento e sociedade”, ressalta Bibiana Berg, head Sênior de Experiências, Cultura e Impacto Social e Presidente do Santander Cultural.
O percurso expositivo está organizado de forma cronológica e propõe um recorte curatorial centrado na iconografia dos mapas — elemento fundamental para compreender não apenas a evolução técnica da cartografia, mas também as visões de mundo que moldaram essas representações.
A exposição reúne obras de alguns dos principais nomes da cartografia ocidental, evidenciando diferentes momentos e abordagens na representação do território brasileiro. Entre eles, destaca-se Joan Blaeu, um dos expoentes da cartografia holandesa e figura central na chamada era de ouro da produção cartográfica europeia, cujos mapas combinam rigor científico e riqueza ornamental. Outro nome fundamental é Nicolas Sanson d’Abeville, considerado o pai da cartografia francesa moderna, responsável por consolidar uma linguagem mais racional e politicamente orientada na representação dos territórios.
Outro aspecto relevante é a evolução na nomeação dos espaços geográficos. Ao longo dos séculos, os mapas passam a identificar com maior precisão rios, cidades e regiões, refletindo o avanço do conhecimento europeu e a necessidade de domínio territorial. Grandes cursos d’água, como o Amazonas, ganham destaque, assim como recortes mais específicos de áreas do litoral e do interior.
“Mais do que instrumentos de localização, os mapas apresentados na exposição podem ser compreendidos como construções simbólicas, nas quais estão inscritas as formas de ver e imaginar o mundo naquele período. Eles revelam sensibilidades, crenças e até fantasias que acompanharam a descoberta do chamado Novo Mundo”, afirma Helena Severo.
“Ao longo dos três séculos abordados, é possível perceber uma transformação profunda: saímos de uma cartografia marcada pelo imaginário e pelo encantamento para representações cada vez mais precisas e científicas, acompanhando as mudanças no pensamento europeu”, destaca Maria Eduarda Marques.
Ao evidenciar a transformação dessas representações ao longo do tempo, a exposição A Invenção do Novo Mundo: Mapas da Coleção Santander propõe uma leitura sensível e histórica da cartografia, destacando sua dimensão artística, científica, filosófica e cultural.
Serviço
Exposição A Invenção do Novo Mundo: Mapas da Coleção Santander
Local: Farol Santander Endereço: Rua João Brícola, 24 – Centro, São Paulo
Período: 24 de abril de 2026 a 26 de julho de 2026
Outras informações: @farolsantander