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TCU mantém Leilão de Reserva de Capacidade, mas investiga “geradoras de papel”

Corte rejeita suspensão imediata do certame de 2026 para evitar riscos de apagão, mas apura suspeitas de irregularidades bilionárias

Maranhão é o segundo estado do Brasil com o maior número de  gestores e ex-gestores nessa condição, diz TCU (Foto: Reprodução)
Maranhão é o segundo estado do Brasil com o maior número de gestores e ex-gestores nessa condição, diz TCU (Foto: Reprodução)

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu, em sessão realizada nesta quarta-feira (15 de abril), não suspender o Leilão de Reserva de Capacidade de 2026. Apesar de manter o cronograma do certame, o plenário da corte autorizou a abertura de uma investigação aprofundada para apurar possíveis ilegalidades no processo, que prevê movimentar cerca de R$ 64,5 bilhões em contratações, com um impacto estimado de R$ 515,7 bilhões nas contas dos consumidores ao longo dos contratos.

A decisão acompanhou o voto do relator, ministro Jorge Oliveira, que indeferiu o pedido de medida cautelar feito pelo Ministério Público junto ao TCU. A representação apontava falhas graves, como um aumento repentino de 80% no preço-teto em apenas três dias e a falta de justificativas técnicas detalhadas para o modelo adotado pelo Ministério de Minas e Energia.

No entanto, os ministros ponderaram que paralisar o leilão agora poderia comprometer a segurança energética do país, elevando o risco de crises no abastecimento em momentos de pico de demanda.

O foco nas empresas sem capacidade de execução

Um dos pontos centrais da investigação da Unidade de Auditoria Especializada em Energia Elétrica (AudElétrica) será a atuação das chamadas “geradoras de papel”. O termo refere-se a empresas que vencem os leilões sem possuir histórico ou capacidade real para tirar os projetos do papel, estruturando os negócios apenas para revender as concessões com lucros expressivos.

O ministro Bruno Dantas destacou que essa prática distorce a competição e transfere custos e riscos elevados para o consumidor final, citando casos anteriores de usinas que não foram entregues no prazo.

A investigação também deve avaliar o impacto do leilão na modicidade tarifária, uma vez que a baixa competitividade registrada no certame pode ter inflado os preços da energia contratada. Com a homologação dos resultados prevista para o dia 21 de maio, o TCU avalia que há tempo hábil para realizar inspeções nos agentes envolvidos e coletar informações críticas sem interromper o fornecimento necessário para evitar apagões.

O desdobramento deste processo será fundamental para definir se os contratos serão validados ou se sofrerão intervenções para proteger o interesse público e o bolso do cidadão.

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