O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu lançar candidatura própria ao Governo do Maranhão nas eleições de 2026, em um movimento que reposiciona o partido no cenário político estadual e evidencia as fissuras dentro da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A definição foi comunicada nessa quarta-feira (29) pelo presidente nacional da sigla, Edinho Silva, durante reunião por telefone com lideranças petistas no estado.
O nome escolhido para encabeçar a disputa é o do atual vice-governador, Felipe Camarão, que passa a ser o principal representante do campo lulista na corrida pelo Palácio dos Leões. A decisão ocorre após semanas de impasse interno, marcadas pela divisão entre grupos ligados ao governador Carlos Brandão (MDB) e setores alinhados ao chamado grupo dinista, ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino.
Nos bastidores, a direção nacional do PT chegou a avaliar diferentes cenários para tentar unificar a base política no estado, incluindo a possibilidade de composição com o atual governo. Antes do anúncio, Edinho Silva manteve conversas diretas com Carlos Brandão em busca de uma aliança que evitasse o racha no campo governista. Sem consenso, a executiva nacional optou por uma candidatura própria, sinalizando a intenção de fortalecer a identidade partidária e ampliar o protagonismo da legenda no Maranhão.
Além da definição para o Executivo estadual, o partido também encaminhou sua estratégia para o Senado. O PT confirmou apoio às candidaturas da senadora Eliziane Gama (PSD) e do senador Weverton Rocha (PDT), indicando a manutenção de pontes com partidos do campo progressista e aliados históricos no estado.
Em comunicado oficial enviado à comissão provisória estadual, Edinho Silva detalhou os termos da decisão e destacou que o partido seguirá dialogando com outras lideranças políticas, entre elas o ministro dos Esportes, André Fufuca, em busca de ampliar a base de apoio ao projeto petista.
A definição, no entanto, não encerra as divergências internas. A direção nacional assegurou liberdade para que filiados e dirigentes que discordarem da estratégia possam apoiar outras candidaturas, inclusive o nome de Orleans Brandão, apontado como uma das alternativas no campo governista.
Com o anúncio, o cenário eleitoral para 2026 no Maranhão começa a ganhar contornos mais definidos. Além de Felipe Camarão, já estão confirmados como pré-candidatos ao governo do estado, os nomes de: Orleans Brandão (MDB), ligado ao grupo político do atual governador.Carlos Brandão (sem partido), Enilton Rodrigues (PSOL), Lahésio Bomfim (NOVI), e Eduardo Braide (PSD).
Até o fechamento desta edição a comissão provisória do PT no Maranhão esteve reunida para discutir os desdobramentos da decisão. O encontro é visto como crucial para medir o nível de adesão interna à candidatura própria e traçar as primeiras estratégias de campanha, em um cenário que tende a ser marcado por disputas intensas e rearranjos políticos nos próximos meses.
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