Após três meses de subidas ininterruptas que levaram os preços a patamares recordes, o mercado de feijão (preto e carioca) iniciou o mês de abril com tendência de queda. Segundo o levantamento do Centro de Pesquisa em Economia Aplicada (Cepea), divulgado nesta segunda-feira (13), o alívio no bolso do consumidor é reflexo direto de uma retração na demanda nas primeiras semanas do mês.
Os pesquisadores explicam que o setor atravessa um momento de busca por um novo ponto de equilíbrio. Esse ajuste ocorre conforme os preços elevados são transmitidos da indústria para as prateleiras do varejo, o que acaba desestimulando o consumo e forçando uma correção nas cotações.
Além disso, a expectativa em torno da segunda safra, apesar das incertezas climáticas na região Sul, ajuda a compor o atual cenário de descompressão.
Balança comercial: exportações em alta e importações atípicas
O cenário de preços elevados no mercado brasileiro durante o primeiro trimestre acabou impactando o fluxo de comércio exterior:
• Exportações: Em março, o Brasil exportou 27,2 mil toneladas de feijão, um salto de 51,3% em comparação ao mesmo mês de 2025. O crescimento reflete a atratividade do preço para os produtores no mercado externo.
• Importações: Devido à baixa oferta interna recente, as importações seguiram em patamares elevados. O volume de março (3,13 mil toneladas) foi quatro vezes maior que o registrado no mesmo período do ano passado. No entanto, houve um recuo de 17% em relação a fevereiro, que havia estabelecido o recorde de importações dos últimos dois anos.
A expectativa para o restante do mês é que o mercado continue monitorando o clima nas regiões produtoras e o comportamento do consumidor final, que se mostrou sensível aos aumentos acumulados no início de 2026.