O governo do Irã manifestou formalmente a possibilidade de romper o acordo de cessar-fogo vigente e iniciar uma contraofensiva contra Israel, motivado pela série de bombardeios realizados pelas forças israelenses no Líbano nesta quarta-feira (8). Segundo informações veiculadas pela mídia estatal iraniana, autoridades de segurança de Teerã consideram que as ações de Tel Aviv constituem uma violação direta dos termos pactuados, o que justificaria uma resposta defensiva em larga escala a qualquer momento.
A diplomacia iraniana defende que a trégua deve abranger integralmente todas as frentes de combate, incluindo Gaza e o Líbano, regiões que enfrentam quarenta dias de operações militares ininterruptas. No âmbito legislativo, o porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, sugeriu medidas drásticas como a suspensão imediata do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Em nota oficial, as Forças Armadas do país confirmaram que exercerão um monitoramento estratégico sobre o canal, ponto crucial por onde escoa 20% da produção global de petróleo e gás, embora não tenham detalhado a natureza de tal controle. Vale ressaltar que a desobstrução desta via por um período de duas semanas foi uma das premissas centrais para o entendimento entre Washington e Teerã.
Do lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reiterou o apoio ao pacto mediado pelos Estados Unidos, mas ressalvou que as operações no Líbano permanecem excluídas do cessar-fogo. As Forças de Defesa de Israel confirmaram a execução de ataques simultâneos contra cem alvos em Beirute e no sul do país em um intervalo de apenas dez minutos. O Ministério da Saúde libanês aponta, em relatórios preliminares, que a ofensiva resultou em dezenas de vítimas fatais e centenas de feridos, atingindo áreas residenciais densamente povoadas.
Diante do cenário de destruição na capital libanesa, o grupo Hezbollah orientou a população civil a não retornar às zonas de conflito até que uma trégua específica para o país seja formalizada. O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, condenou veementemente a incursão, acusando Israel de ignorar os esforços internacionais de paz e de desrespeitar os princípios do direito internacional humanitário.
A escalada das tensões gerou preocupação no Paquistão, cujo primeiro-ministro, Shehbaz Sharif, atuou como mediador do acordo original. Sharif fez um apelo público pela contenção das hostilidades, alertando que o descumprimento dos termos coloca em risco a viabilidade da via diplomática. Dados oficiais indicam que, desde o início desta fase do conflito em março, o Líbano já contabiliza mais de 1,5 mil mortos, milhares de feridos e cerca de um milhão de cidadãos deslocados de suas casas, além de danos severos à infraestrutura de saúde local.