Política · imbróglio institucional

Gestão Esmênia Miranda aposta em novas licitações para modernizar transporte e encerrar crise em São Luís

Sob pressão social, nova prefeita enfrenta colapso no sistema, enquanto Câmara discute soluções e Ministério Público pede suspensão de contrato com consórcio

A crise no transporte público de São Luís se consolidou como o principal e mais urgente desafio da gestão da prefeita Esmênia Miranda (Foto: Divulgação)
A crise no transporte público de São Luís se consolidou como o principal e mais urgente desafio da gestão da prefeita Esmênia Miranda (Foto: Divulgação)

A crise no transporte público de São Luís se consolidou como o principal e mais urgente desafio da gestão da prefeita Esmênia Miranda, que assumiu o comando da capital maranhense sob forte pressão social para reverter um cenário de colapso na mobilidade urbana, marcado por paralisações, falhas operacionais e impasses jurídicos.

Em meio ao agravamento da situação, a Câmara Municipal intensificou o debate sobre o tema. Em pronunciamento realizado no último dia  31 de março, o vereador Pavão Filho (PDT) anunciou a realização de uma audiência pública para discutir o sistema de transporte coletivo da capital. A iniciativa foi formalizada com a aprovação do Requerimento nº 0177/2026 e está marcada para o dia 13 de abril, reunindo autoridades, representantes das empresas, trabalhadores e órgãos de fiscalização.

De acordo com o parlamentar, foram convocados para o debate o secretário municipal de Trânsito e Transportes, além da Promotora de Justiça do Consumidor, o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SET), e o presidente do Sindicato dos Rodoviários (STTREMA). A intenção é construir um diagnóstico mais preciso da crise e apontar caminhos para a reestruturação do serviço.

Durante o discurso, Pavão Filho classificou o sistema de transporte como “caótico” e “ultrapassado”, destacando que a população é a principal prejudicada por um serviço que não atende às necessidades básicas de deslocamento. Ele ressaltou ainda que a responsabilidade pela oferta de um transporte público eficiente é do Município, seja por meio de operação direta ou por concessão à iniciativa privada. “O Parlamento não pode se omitir. Precisamos debater e cobrar soluções para um serviço essencial à população”, afirmou.

Ministério Público solicita caducidade de contrato

Paralelamente ao debate político, a crise ganhou contornos judiciais com a atuação do Ministério Público do Estado do Maranhão, que ingressou com uma Ação Civil Pública pedindo a suspensão imediata do contrato de concessão firmado entre a Prefeitura de São Luís e o Consórcio Via SL. A ação solicita que, em até 48 horas, o Município autorize novas empresas a operar as linhas atualmente atendidas pelo consórcio, até a realização de uma nova licitação.

O órgão também requer que a Prefeitura declare a caducidade do contrato, alegando sucessivos descumprimentos contratuais e incapacidade operacional da concessionária. Em caso de descumprimento das medidas, foi solicitada a aplicação de multa diária mínima de R$ 10 mil.

Déficit financeiro e novos  editais de licitações

Segundo a promotora Lítia Cavalcanti, as falhas na prestação do serviço têm violado normas básicas de proteção ao consumidor. Ela destaca que as paralisações totais e parciais do sistema já afetaram mais de 15 bairros, comprometendo 27 linhas urbanas e impactando diretamente entre 45 mil e 50 mil usuários diariamente.

O histórico recente reforça a gravidade do problema. Desde novembro de 2025, o sistema enfrenta greves recorrentes motivadas por atrasos salariais, suspensão de benefícios e demissões em massa. As empresas, por sua vez, alegam que a crise é agravada pela falta de repasses de subsídios por parte do poder público municipal, evidenciando um impasse financeiro que se soma à crise operacional.

A questão principal reside no déficit financeiro gerado pela diferença entre os gastos reais do transporte e a receita vinda das passagens. Empresas do setor apontam que a chamada tarifa técnica deveria chegar a R$ 7,30 para garantir a sustentabilidade do serviço, enquanto o Ministério Público defende o aumento do subsídio público para evitar reajustes à população, sugerindo um valor de R$ 2,15 por passageiro transportado.

Além disso, propostas como a implementação da tarifa zero começam a ganhar espaço no debate legislativo, sendo discutidas como alternativa de política pública voltada à inclusão social e ao direito à mobilidade.

Novas licitações para reestruturar o sistema na Ilha

Como forma de atenuar crise no transporte público de São Luís a prefeitura abriu novas licitações que prometem reestruturar o sistema e melhorar o atendimento à população. Após meses de paralisações, falhas operacionais e embates judiciais envolvendo o antigo modelo de concessão, a gestão da prefeita Esmênia Miranda aposta em um conjunto de editais para modernizar a mobilidade urbana da capital maranhense.

Mobilidade urbana integrada aos terminais da capital

No centro dessa reformulação está a Concorrência Eletrônica nº 90.015/2026, considerada a principal iniciativa para substituir o modelo anterior de operação. O edital estabelece critérios mais rigorosos para as empresas interessadas, como a obrigatoriedade de renovação da frota com veículos de idade média inferior a cinco anos e equipados com ar-condicionado. Também determina que 100% dos ônibus sejam acessíveis, com elevadores e sinalização adequada para pessoas com deficiência.

Outro ponto estratégico é a exigência de monitoramento em tempo real, com integração ao Centro de Controle Operacional (CCO) por meio de GPS. A medida permitirá que usuários acompanhem a circulação dos ônibus por aplicativo oficial, aumentando a transparência e a previsibilidade do serviço. Além disso, as empresas deverão apresentar planos consistentes de manutenção preventiva, buscando evitar falhas mecânicas recorrentes — um dos principais problemas do sistema anterior.

A reestruturação não se limita ao transporte coletivo tradicional. Por meio da Concorrência Eletrônica nº 90.016/2026, a Prefeitura amplia o foco para a mobilidade urbana integrada, com investimentos em ciclovias e ciclofaixas conectadas aos terminais de integração. O projeto inclui ainda melhorias na sinalização viária, implantação de faixas de pedestres elevadas e semáforos inteligentes, com recursos oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC Mobilidade Urbana), o que impõe prazos rigorosos para execução das obras.

Complementando o pacote, a gestão municipal também aposta no fortalecimento da fiscalização. O novo modelo prevê a adoção de sistemas eletrônicos com câmeras de alta definição e automação na aplicação de penalidades às concessionárias que descumprirem itinerários ou horários. A proposta é utilizar dados em tempo real para ajustar a oferta de ônibus conforme a demanda, especialmente nos horários de pico.

Paralelamente, a Central Permanente de Licitação também lançou editais voltados à requalificação da infraestrutura urbana, incluindo a implantação de abrigos para passageiros e melhorias em calçadas nos principais corredores da cidade. As licitações estão marcadas para os dias 28 e 29 de abril, em formato eletrônico, ampliando a competitividade e a transparência do processo.

As medidas surgem em meio a um cenário de forte insatisfação popular, agravado por greves, redução de frota e descontinuidade no serviço, que afetaram milhares de usuários nos últimos meses. A nova modelagem busca corrigir falhas históricas, equilibrar a relação entre poder público e concessionárias e garantir maior eficiência na prestação do serviço.

Quer receber as da sua cidade, do Maranhão, Brasil e Mundo na palma da sua mão? notícias Clique e fique por dentro de tudo! para acessar o Grupo de Notícias do O Imparcial AQUI

Siga nossas redes, comente e compartilhe nossos conteúdos: