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1º de abril: as mentiras que o Brasil quase acreditou

De mortes prematuras de imperadores a feriados inexistentes, relembramos casos em que a criatividade brasileira testou os limites da credibilidade pública.

O voo do “Padre do Balão”. (Foto: Reprodução)
O voo do “Padre do Balão”. (Foto: Reprodução)

O brasileiro é, por natureza, um contador de histórias. No entanto, quando o calendário marca 1º de abril, essa característica ganha contornos institucionais. Ao longo das décadas, o que começou como brincadeiras de jornais de época evoluiu para estratégias de marketing e fenômenos de massa que deixaram muita gente de cabelo em pé. Relembrar essas “mentiras históricas” é, também, entender como a nossa sociedade lida com a informação e com o humor.

Confira casos que marcam o imaginário nacional:

O “falecimento” de Dom Pedro I
A tradição do Dia da Mentira no Brasil tem uma certidão de nascimento bem específica: o periódico mineiro “A Mentira”. Em sua primeira edição, em 1º de abril de 1828, o jornal publicou em letras garrafais que o Imperador Dom Pedro I havia falecido.

Dom Pedro I. (Reprodução)

A notícia se espalhou como pólvora em uma época em que a comunicação levava dias para ser desmentida. O objetivo era puramente satírico, mas o susto na população foi real. Curiosamente, o jornal só durou uma edição, mas batizou a data no país para sempre.

O boato do fim do mundo
Imagine acordar e ouvir que o mundo vai acabar em poucas horas. Em 1980, um boato de que um maremoto destruiria a cidade de Recife no dia 1º de abril levou milhares de pessoas ao pânico.

Reprodução

O rumor dizia que a capital pernambucana seria engolida pelo mar ao meio-dia. Escolas fecharam, o comércio baixou as portas e famílias fugiram para as áreas mais altas da cidade. Embora não tenha partido de um veículo de imprensa oficial, a “mentira coletiva” mostrou o poder do medo e como a desinformação pode paralisar uma metrópole.

A “morte” do palhaço Bozo
Nos anos 90, um dos maiores ícones infantis do país foi alvo de uma das pegadinhas mais cruéis da TV. No dia 1º de abril, espalhou-se o rumor de que o ator que interpretava o palhaço Bozo havia falecido.

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A notícia gerou comoção nacional entre crianças e pais. Horas depois, o próprio palhaço apareceu ao vivo em seu programa no SBT para provar que estava “vivinho da silva”, transformando o luto precoce em uma das maiores audiências da emissora na época.

O voo do “Padre do Balão”
Embora o caso real tenha ocorrido em 20 de abril de 2008, a história do Padre Adelir de Carli é frequentemente resgatada em compilados de 1º de abril devido ao seu caráter surreal. Muitos internautas, nos anos seguintes, passaram a compartilhar a “notícia” do seu resgate como se fosse uma brincadeira de 1º de abril, criando uma metalinguagem da mentira sobre um fato trágico e real.

O Hambúrguer que não era de Carne
Em um desdobramento mais atual e perigoso, o 1º de abril de 2025 viu uma brincadeira de rede social sair do controle na Grande Belo Horizonte. Um vídeo satírico sugeria que uma hamburgueria local estava usando “carne de cão” para baixar custos. O que deveria ser uma “pegadinha” de mau gosto viralizou fora de contexto.

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O proprietário chegou a ser ameaçado e precisou acionar a polícia para provar a procedência de seus insumos. 

O episódio serviu de alerta nacional: na era dos algoritmos, uma mentira de 1º de abril pode destruir reputações em minutos se não houver um selo claro de “humor”.

A linha tênue entre humor e fake news
Hoje, o desafio é outro. Com a velocidade das redes sociais, a linha que separa a “peça” de 1º de abril da desinformação perigosa ficou mais fina.

A data é um lembrete de que, mesmo em um mundo de dados e checagens, ainda temos espaço para a imaginação — desde que, ao final do dia, a verdade volte a ser o nosso norte.