Com a abertura da janela partidária funcionando como catalisador de migrações, redefinições de alianças e reposicionamentos de forças dentro da Assembleia Legislativa. É nesse contexto que o PCdoB passa por um processo acelerado de esvaziamento político, justamente em um ano decisivo. A legenda, que por anos ocupou posição central no estado durante os governos de Flávio Dino, vê sua base parlamentar praticamente se dissolver com a saída em série de deputados estaduais.
O episódio mais recente desse movimento foi protagonizado pelo deputado Ricardo Rios, que oficializou, na quarta-feira (25), sua filiação ao PSB, em ato realizado em Brasília. A cerimônia contou com a presença da presidente estadual da sigla, Ana Paula Lobato, e do dirigente nacional, João Campos, reforçando o simbolismo político da adesão.
A chegada de Rios ao PSB não ocorre de forma isolada. Ela se soma a uma sequência de baixas que vem fragilizando o PCdoB no estado. O deputado Othelino Neto já havia deixado a legenda e também se alinhado ao PSB, enquanto outros nomes, como Ana do Gás, Júlio Mendonça e Rodrigo Lago, estão em processo de saída ou com destino político encaminhado.
Com isso, o partido caminha para a extinção completa de sua bancada na Assembleia Legislativa do Maranhão (ALEMA), um cenário que, até pouco tempo atrás, parecia improvável. A legenda, que já figurou como uma das principais forças do Legislativo estadual, perde não apenas cadeiras, mas também instrumentos fundamentais de atuação política.
Sem representação parlamentar, o PCdoB deixa de ocupar espaços estratégicos nas comissões permanentes, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde são analisadas matérias de maior relevância técnica e jurídica. Também perde voz no colégio de líderes, instância responsável por definir a pauta de votações e conduzir negociações internas.
Outro impacto direto é o desaparecimento da liderança de bancada, o que implica na perda de prerrogativas regimentais importantes, como tempo ampliado de fala na tribuna e mecanismos de obstrução. Soma-se a isso a redução da estrutura política vinculada ao partido dentro da Assembleia, com a perda de cargos comissionados e equipes de assessoria.
No campo eleitoral, o enfraquecimento tende a se refletir na dificuldade de montagem de chapas competitivas. Sem deputados com mandato — que tradicionalmente funcionam como “puxadores de voto” — o partido perde capacidade de atrair novos quadros e de alcançar o quociente eleitoral. Além disso, a diminuição da representatividade impacta diretamente no acesso aos recursos do fundo partidário e eleitoral.
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