O Ministério Público Federal (MPF) instaurou, nesta quinta-feira (5), um inquérito civil para apurar possíveis violações à integridade física e psicológica de participantes do reality show Big Brother Brasil 26. A investigação está relacionada à dinâmica conhecida como “Quarto Branco”, exibida na atual edição do programa.
A abertura do procedimento ocorreu após manifestação da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), que enviou uma carta ao MPF criticando o formato da prova. No documento, a comissão afirma que alguns métodos empregados na dinâmica lembrariam práticas utilizadas durante o período da ditadura militar no Brasil.
Segundo o relato apresentado, uma das participantes teria passado cerca de 100 horas em isolamento dentro do ambiente da prova e chegou a desmaiar durante a dinâmica. O documento também menciona que ela teria sido submetida a permanecer de pé sobre um pedestal de diâmetro reduzido, o que teria contribuído para o desgaste físico.
Questionamentos sobre condições das provas
A denúncia também cita outros episódios envolvendo desafios de resistência no programa. Entre eles, um momento em que o ator Henri Castelli teria apresentado convulsões durante uma prova.
O texto encaminhado ao MPF argumenta que determinadas dinâmicas podem expor os participantes a riscos desnecessários em nome do entretenimento. Além disso, também foram mencionados casos de edições anteriores do reality, incluindo situações de confinamento prolongado ou isolamento dentro da casa.
Na avaliação apresentada ao órgão, submeter competidores a condições consideradas extremas poderia representar violação de princípios ligados à dignidade humana.
Globo afirma que há acompanhamento médico
Em manifestação preliminar, a TV Globo informou que o programa conta com acompanhamento médico permanente durante todas as provas e atividades do reality. Segundo a emissora, há estrutura de atendimento no local, incluindo equipe de saúde e suporte de UTI móvel para eventuais emergências.
A empresa também afirmou que, nos casos em que participantes necessitam de atendimento adicional, são adotados protocolos para encaminhamento a unidades hospitalares.
Como uma das primeiras medidas do inquérito, o MPF solicitou que a emissora apresente informações detalhadas sobre as dinâmicas questionadas e sobre os procedimentos de segurança adotados durante a realização das provas no programa.