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Mercados globais respiram com recuo de Trump no Oriente Médio e dólar cai para R$ 5,22

Trégua de cinco dias em ataques ao Irã derruba cotação do petróleo em 13% e impulsiona Ibovespa; sinalização de diálogo entre Washington e Teerã alivia temor de crise energética global

Guerra comercial (Foto: Divulgação)
Guerra comercial (Foto: Divulgação)

O mercado financeiro iniciou a semana em forte ritmo de recuperação nesta segunda-feira (23), reagindo positivamente à desescalada temporária das tensões entre Estados Unidos e Irã. O dólar registrou queda superior a 1%, cotado a R$ 5,22, acompanhando o alívio global após o presidente Donald Trump adiar por cinco dias eventuais ataques a usinas de energia iranianas. A sinalização de que Washington e Teerã mantiveram conversas “produtivas” para resolver as hostilidades no Oriente Médio reverteu o sentimento de aversão ao risco, levando o Ibovespa a saltar mais de 3%, superando a marca dos 182 mil pontos.

O principal motor dessa calmaria foi o colapso nos preços do petróleo. Após semanas de pressão devido ao fechamento do Estreito de Hormuz — por onde escoa 20% da produção mundial —, o barril do tipo Brent despencou de US$ 109 para a casa dos US$ 91 após o anúncio da trégua. Segundo analistas da ZERO Markets, o recuo de Trump no Truth Social reduziu os temores de um repique inflacionário global e de interrupções críticas na oferta de energia.

Embora Teerã tenha recebido a notícia com cautela, classificando a medida como uma estratégia para ganhar tempo, a confirmação de “iniciativas para reduzir a tensão” foi suficiente para destravar investimentos em bolsas de valores de Nova York a São Paulo.

Apesar do otimismo momentâneo, o cenário militar na região permanece robusto. Na última semana, os EUA mobilizaram grupos expedicionários de fuzileiros navais com capacidade para operações terrestres, embora Trump tenha negado a intenção de uma invasão em larga escala para derrubar o regime iraniano. Analistas militares observam que o foco americano parece ser a desobstrução das rotas marítimas, especialmente em torno da ilha de Kharg.

Enquanto isso, Trump manteve a pressão diplomática ao criticar a Otan, chamando a aliança de “tigre de papel” sem o suporte financeiro e bélico dos Estados Unidos, reforçando sua postura de isolacionismo estratégico.

No cenário doméstico, o Banco Central do Brasil aproveitou a janela de alívio para realizar leilões de linha e swap cambial, visando a rolagem de vencimentos e a manutenção da liquidez. No campo dos juros, o mercado ainda digere a última decisão do Copom, que reduziu a Selic para 14,75% ao ano.

A comunicação de que os juros passarão por uma “calibração” em vez de uma flexibilização ampla indica que, apesar do alívio no câmbio e no petróleo nesta segunda-feira, a autoridade monetária brasileira manterá uma postura restritiva para conter eventuais choques inflacionários derivados da volatilidade internacional.