Uma nova geração de cineastas e pensadores da imagem começa a surgir no Maranhão. Nesta quinta-feira (5), no auditório do IEMA Pleno São Luís/Centro, foi realizada a entrega de certificados e kits audiovisuais do curso de Formação em Documentário e Cinema Etnográfico. O projeto celebra a transferência de tecnologia para quem, historicamente, estava apenas diante das câmeras e agora assume o controle da própria narrativa.
Escolas equipadas e polos de produção
Quatro instituições da rede estadual que produziram ao menos cinco obras durante o curso foram contempladas com kits de produção (ilha de edição, câmera, microfone boom e gravador):
- IEMA Centro
- IEMA Gonçalves Dias
- Liceu Maranhense
- Escola Dr. Antônio Jorge Dino (São Cristóvão)
A iniciativa contou com o apoio da Lei Rouanet, patrocínio da Equinox Gold, produção da FazCine Educação e suporte da FIEMA, Sesc e Secretaria de Estado da Educação (Seduc).
O coordenador do projeto, Emilson Ferreira, destacou que a formação foi além da técnica, explorando a antropologia visual. Professores de diversas áreas — de Exatas a Biológicas — participaram de uma capacitação de 200 horas, resultando na produção de 14 filmes etnográficos.
“Trabalhamos na perspectiva metodológica de Jean Rouch, onde o objeto é construído de forma colaborativa. Alguns filmes tiveram até seis versões, aprimoradas após debates com a comunidade e cineastas no Cinema do Sesc”, explicou o coordenador.
Ao todo, foram ofertadas mais de 1.800 vagas, envolvendo também pesquisadores das universidades federais do Pará (UFPA) e do Paraná (UFPR), conectando o ensino médio ao ambiente acadêmico de pesquisa.
O olhar de quem vive a realidade
Para os estudantes, a formação representou a conquista do direito à própria imagem. É o caso de Stefanie Freire, 18 anos, ex-aluna do IEMA Centro, que liderou uma produção sobre os casarões históricos de São Luís.
“Queríamos que o trabalho despertasse uma conscientização para preservar esses casarões, que estão degradados mas fazem parte da nossa história”, conta a jovem, que agora planeja cursar Jornalismo.
Com equipamentos profissionais instalados nas escolas, o projeto deixa um legado físico e intelectual, transformando as unidades de ensino em polos de produção cultural independente e resistência da memória maranhense.
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