Em meio à intensificação das articulações políticas para as eleições de 2026, o governo do Maranhão já vivencia uma reconfiguração significativa em sua estrutura administrativa. Pelo menos 13 secretários estaduais deixarão seus cargos na gestão do governador Carlos Brandão (sem partido) com o objetivo de disputar o próximo pleito, em um movimento que alia exigências legais a estratégias eleitorais e de manutenção da base aliada.
A desincompatibilização — exigida pela legislação eleitoral — deve ser cumprida até 4 de abril de 2026. A regra, fiscalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral, determina o afastamento de ocupantes de cargos públicos que pretendem concorrer, sob pena de inelegibilidade. No Maranhão, a antecipação desse prazo para o dia 20 de março, por decisão do próprio governador, permitiu ao Executivo maior controle sobre a transição e a recomposição do secretariado.
Um levantamento realizado pelo jornal O Imparcial aponta pelo menos 13 integrantes do primeiro escalão que já deixaram ou devem deixar suas funções. A maior parte dos ex-secretários mira uma vaga na Assembleia Legislativa do Maranhão, reforçando a disputa proporcional. Entre eles, destacam-se Júnior Viana (sem partido), subchefe da Casa Civil; Paulo Casé (União Progressista), ex-secretário de Desenvolvimento Social; Abigail Cunha (MDB), ex-secretária da Mulher; Thiago Fernandes (PSDB), que comandava a Saúde; Natássia Weba (Podemos), da Ciência e Tecnologia; Yuri Arruda (sem partido), da Cultura; Celsinho (Republicanos), do Esporte; Sebastião Madeira (MDB), ex-chefe da Casa Civil; e Cricielle Muniz (PT), que dirigia o IEMA.
Já na disputa por cadeiras na Câmara dos Deputados, aparecem como pré-candidatos Vinícius Ferro (sem partido), da Secretaria de Planejamento; Washington Luís (PT), que atuava na Representação Institucional em Brasília; e Bira do Pindaré (PSB), então titular da Agricultura Familiar — este último, inclusive, articula nos bastidores um possível retorno ao PT, condicionado a rearranjos internos da legenda no estado.
Além das candidaturas, outro eixo estratégico envolve a recomposição do governo. Segundo fontes ligadas ao governo do Maranhão, o Palácio dos Leões abriu espaço para que os próprios secretários indicassem substitutos, em negociação direta com partidos como MDB, PT, União Progressista e Republicanos. No campo partidário, o cenário ainda apresenta indefinições. Alguns nomes já têm destino certo — como Washington Luís e Cricielle Muniz, no PT; Abigail Cunha e Sebastião Madeira, no MDB; Paulo Casé, no União Progressista; e Celsinho, no Republicanos.
Outros, como Thiago Fernandes, Júnior Viana e Yuri Arruda, avaliam filiação ao MDB, em um movimento que pode fortalecer ainda mais a sigla dentro da base governista. Vinícius Ferro também é cotado para ingressar no partido. A saída em massa de integrantes do primeiro escalão evidencia não apenas o cumprimento de uma exigência legal, mas um redesenho político mais amplo.
A reforma administrativa impulsionada pelo calendário eleitoral revela o esforço do governo em manter coesão interna, ao mesmo tempo em que projeta lideranças para a disputa de 2026, antecipando o que tende a ser um dos pleitos mais estratégicos dos últimos anos no Maranhão.
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