O som ritmado dos bilros batendo na almofada, aprendido ainda na infância, foi o que guiou Darly Menezes por um caminho que hoje mistura memória, sustento e protagonismo feminino. Em Raposa, onde a renda de bilro é tradição, ela transformou o saber herdado da avó em fonte de renda para si e outras mulheres.
“Não é só saber fazer renda, é manter viva a história da minha família”, resume. Ela aprendeu ainda na infância, com a avó, a técnica que exige paciência e precisão. Entre linhas e bilros, Darly mantém viva uma prática que é patrimônio cultural e, ao mesmo tempo, fonte de renda. “Foi uma forma que encontrei de criar algo diferente, que representasse o nosso município e ajudasse a manter viva a tradição da renda de bilro. É sobre preservar essa memória, dando continuidade a algo que vem de geração em geração: da minha avó, minha bisavó, minha mãe”.

Com o tempo, o saber tradicional se transformou em negócio. Atualmente, Darly preside a Associação das Rendeiras, que reúne 45 mulheres. Juntas, participam de feiras dentro e fora do estado e encontram no artesanato uma forma de autonomia financeira. “É um trabalho de mulheres protagonistas, que contam sua história através da renda. Cada dia mais a gente une forças para que essa tradição não morra, porque é uma parte da gente, que a gente dá continuidade todos os dias”, afirma.
Ao buscar estruturar melhor a atividade, Darly e o grupo passaram a acessar capacitações e orientações voltadas à gestão e comercialização. Esse processo contribuiu para mudanças práticas no dia a dia da produção e das vendas, sem perder a essência do trabalho artesanal.
“Foi uma virada de chave. A gente aprendeu desde o acabamento até a forma de vender melhor. Isso ampliou muito nossas possibilidades”, conta.
Se a história de Darly é marcada pela continuidade de um saber ancestral, a de Núbia Lafayete começa pela descoberta. Há três anos, ela não se imaginava artesã. Foi durante uma capacitação voltada para um grupo de mulheres em Panaquatira que teve o primeiro contato com a atividade e enxergou ali uma oportunidade de geração de renda.
A partir do reaproveitamento de escamas de peixe, Núbia passou a produzir flores e biojoias, unindo sustentabilidade e geração de renda. “Além de gerar renda, nosso trabalho beneficia o meio ambiente, com a redução da poluição, o reaproveitamento de resíduos e a valorização da natureza”, explica.
Hoje dedicada integralmente ao artesanato, ela ampliou a produção, participou de feiras e começou a construir uma rede de contatos.
“Cada exposição é uma nova experiência, uma oportunidade de fazer conexões e descobrir caminhos para crescer”, diz.
As histórias de Darly e Núbia mostram caminhos diferentes dentro do artesanato, mas com um ponto em comum: o acesso à qualificação. No caso de Núbia, foi a porta de entrada para a atividade. Para artesãs como Darly, contribuiu para melhorar a organização do trabalho e ampliar as possibilidades de venda.
Dados do setor reforçam a relevância da atividade no estado. O Maranhão conta com cerca de 3.946 artesãos formalizados desde 2008, segundo o Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (SICAB). São Luís lidera o número de registros, seguida por municípios como Grajaú, Barreirinhas e Imperatriz.
A formalização garante acesso a benefícios como participação em feiras, capacitações e linhas de crédito, ampliando as possibilidades de crescimento para quem vive da atividade.
Celebrado em 19 de março, o Dia do Artesão reforça a importância de uma atividade que conecta tradição, cultura e geração de renda no Maranhão.