O som dos tamborins e a agitação dos blocos de rua ditaram o ritmo do Brasil durante o Carnaval deste ano, mas para um número crescente de pessoas, a verdadeira folia aconteceu longe das multidões. Seja por meio do esporte, da espiritualidade ou da gastronomia, o feriado prolongado se transformou em uma oportunidade valiosa para “recarregar as baterias” de forma consciente.
Encontrar o equilíbrio entre a rotina agitada e o descanso mental é o fio condutor que uniu as histórias de Klinger, Priscila e José Roberto. Embora vivam realidades distintas, os três convergem em um ponto fundamental: o Carnaval é o momento ideal para silenciar o ruído externo e priorizar o que é essencial.
Cozinha como templo
Para José Roberto (foto), campeão do MasterChef Brasil, o lazer de Carnaval passa longe da sofisticação das cozinhas profissionais, mas não abandonou o fogão. Para ele, cozinhar nesse período é uma forma de terapia. “No Carnaval, gosto de curtir o lazer em família e cozinho coisas simples e leves. Faço preparos rápidos e sucos refrescantes para dar energia e curtir o dia”, revela o chef, que vê na gastronomia uma ferramenta de conexão.
Apesar de transitar entre o rigor técnico da mineração (sua área de atuação profissional) e a liberdade da cozinha, José Roberto encontra seu refúgio nas raízes nordestinas. Para quem busca um feriado meditativo, ele sugere pratos que exigem tempo e afeto, como uma moqueca ou uma caranguejada.
“O maior ingrediente para fazer boas escolhas na vida sempre deve ser o temor a Deus, para desfrutar de bons momentos”, afirma José Roberto. Para ele, o feriado perfeito se resume a três pilares: música, cinema ou uma caminhada ao lado dos filhos.

No Carnaval, gosto de curtir o lazer em família e cozinho coisas simples e leves. Faço preparos rápidos e sucos refrescantes para dar energia e curtir o dia
Movimento que liberta: o “descanso ativo”
Enquanto o chef busca a calma nas panelas, o skatista Klinger encontra sua paz no movimento. Para ele, o Carnaval foi a chance de um “descanso ativo”, trocando o excesso de telas pelo asfalto. “O skate é um estilo de vida onde enxerguei uma forma de me expressar. Reencontro amigos, temos boas conversas e esse clima deixa tudo mais leve”, conta.

Klinger destaca que o esporte ensina resiliência — uma lição valiosa para enfrentar o ano que segue. “Cair faz parte, levantar e tentar novamente também. Esse é um grande ensinamento para a vida.” Além do skate, ele utiliza a musculação como aliada, reforçando a saúde mental e garantindo que o esforço físico resulte em um sono melhor e humor mais regulado, o oposto da exaustão comum de quem passa dias e noites atrás do trio elétrico.
Conexão e propósito: O “skincare da alma” de Priscila

Para Priscila, empresária do setor da beleza, o feriado foi o momento de praticar o que ela chama de “skincare da alma”. Nascida em um lar cristão, ela vê no período uma oportunidade de fortalecer a fé e os laços matrimoniais. “Ser cristã me mostra o que é ter alegria de verdade. O descanso real é me desprender de tudo e ter um momento com Deus e com a igreja. Isso renova minha fé com experiências reais, não passageiras”, explica.
Priscila e o marido optam por roteiros que envolvem natureza, praia e cinema em casa. Como empreendedora, ela ressalta a importância de “desligar os boletos” para focar na saúde mental. “Muitas pessoas voltam do Carnaval exaustas. Quando você escolhe um lazer que prioriza o sono e a paz interior, volta muito mais focada e calma para a rotina”, pontua Priscila.
A convergência do descanso
Ao analisar as vivências de José Roberto, Klinger e Priscila, percebe-se que a escolha por um Carnaval alternativo não é uma fuga da alegria, mas sim uma busca por felicidade mais duradoura e menos exaustiva. O ponto central que une o chef, o skatista e a empresária é a intencionalidade. Eles enxergam o feriado como uma ferramenta de gestão da saúde mental, onde o controle da ansiedade e a diminuição do ritmo frenético do cotidiano tornam-se prioridades.
A conexão humana surge como outro pilar fundamental nesses relatos. Seja no ambiente familiar da cozinha de José Roberto, nas pistas com os amigos de Klinger ou nos retiros espirituais de Priscila, o foco está em fortalecer laços genuínos. Eles trocam a multidão anônima dos blocos pela presença de qualidade com quem amam, transformando o feriado em um gerador de memórias afetivas e suporte emocional.
A ideia de um “descanso ativo” e do autocuidado físico sela a convergência entre os três. Todos destacam que o bem-estar do corpo é o que garante um retorno mais focado e revigorado para a rotina. Para eles, o verdadeiro luxo do Carnaval é terminar a quarta-feira de cinzas com a mente tranquila e o corpo descansado, prontos para os desafios que o restante do ano reserva.
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