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Desvios em Turilândia: “Pelego” promove reforma administrativa

Nomeações e exonerações assinadas pelo prefeito interino, José Luís Araújo Diniz foram publicadas no Diário Oficial, redefinindo cargos estratégicos da gestão municipal

José Luís Araújo Diniz assume prefeitura de Turilândia em prisão domiciliar e sob investigação (Foto: Reprodução)
José Luís Araújo Diniz assume prefeitura de Turilândia em prisão domiciliar e sob investigação (Foto: Reprodução)

Mesmo cumprindo prisão domiciliar e figurando como investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o presidente da Câmara Municipal de Turilândia, José Luís Araújo Diniz, conhecido como “Pelego” (União Brasil), vem promovendo uma reforma administrativa na estrutura do governo municipal. As mudanças tiveram início no último dia 8 de janeiro de 2026, com uma série de nomeações e exonerações, todas publicadas no Diário Oficial do Município.

Pelego assumiu interinamente a Prefeitura de Turilândia após decisão do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) que afastou o prefeito Paulo Curió (União Brasil) e a vice-prefeita Tânya Mendes (PRD) do comando do Executivo municipal. Ambos são investigados na Operação Tântalo II, conduzida pelo Ministério Público do Maranhão, que apura um suposto esquema de desvio de cerca de R$ 56 milhões dos cofres públicos do município.

A mudança na linha sucessória foi formalizada por meio de portaria publicada em 26 de dezembro de 2025, que reconheceu a vacância temporária dos cargos de prefeito e vice-prefeito. Com a ida de Pelego para o Executivo, a vice-presidente da Câmara, vereadora Inailce Nogueira Lopes, passou a exercer interinamente a presidência do Legislativo municipal.

Prisão domiciliar

José Luís Araújo Diniz é um dos investigados na Operação Tântalo II e atualmente cumpre prisão domiciliar. Pela decisão judicial, ele e outros vereadores investigados estão autorizados a sair de casa apenas para participar de sessões da Câmara Municipal previamente agendadas. Qualquer deslocamento fora dessas hipóteses, sem autorização judicial, pode resultar na revogação da prisão domiciliar e na transferência para uma unidade prisional.

Sobre a legalidade na função

A situação gerou questionamentos sobre a legalidade de um vereador investigado e em prisão domiciliar assumir, ainda que interinamente, o comando do Poder Executivo. Quando ainda integrava o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público do Maranhão (MP-MA), o promotor Fernando Antônio Berniz Aragão, esclareceu à imprensa que a assunção está prevista na legislação local.

“Pode sim. Até porque ele não está afastado das suas funções. E, de acordo com a Lei Orgânica Municipal, na ausência do prefeito e do vice, quem assume a função do Executivo é o presidente da Câmara Municipal”, explicou. Fernando Antônio Berniz Aragão. Na época o promotor  acrescentando que a autorização judicial vigente se limita ao exercício das atividades no Legislativo.

Nomeações e exonerações em diferentes setores

Vale ressaltar que Fernando Antônio Berniz Aragão, é um dos dez promotores que atuam nos núcleos do Gaeco nos municípios de São Luís, Imperatriz e Timon. Que pediram, no último domingo (11), exoneração coletiva das funções no órgão, após a Procuradoria Geral de Justiça (PGJ) emitir parecer favorável à soltura de todos os investigados presos na Operação Tântalo II,

Além de Fernando Antônio Berniz Aragão, assinaram o pedido de exoneração, Ana Carolina Cordeiro de Mendonça, Marcos Valentim Pinheiro Paixão, Eduardo André de Aguiar Lopes, Fábio Santos de Oliveira, Raquel Chaves Duarte Sales, Francisco Fernando de Morais Meneses Filho, Raphaell Bruno Aragão Pereira de Oliveira, Tharles Cunha Rodrigues Alves e Luiz Muniz Rocha Filho, que atuava como coordenador do Gaeco.

Atos publicados no Diário Oficial
 

Apesar do contexto judicial, a gestão interina avançou com mudanças administrativas. No Diário Oficial do Município, edição de quinta-feira, 8 de janeiro de 2026 (Vol. 06, nº 1167), foram publicadas portarias que tratam de nomeações e exonerações em diferentes setores da administração.

Entre os atos, consta a nomeação de Luciano Lourenço Corrêa Júnior para o cargo de Secretário Municipal de Agricultura, a partir de 8 de janeiro de 2026. No mesmo dia, foi exonerado, a pedido, Jayro da Silva Dutra Souza, que ocupava cargo comissionado na estrutura municipal.

Também foram nomeados Roclenildo Câmara Pereira como Assessor Especial, lotado no Gabinete do Prefeito, e Tiago Ramos da Silva para o cargo de Controlador Interno, com efeitos retroativos a 2 de janeiro de 2026.

Outras portarias publicadas em 12 de janeiro de 2026 confirmaram Cristina Oeiras Modesto como Secretária Municipal de Saúde e Saneamento e Celielma Melo Miranda como Secretária Municipal de Assistência Social. Já no dia 13 de janeiro de 2026, houve a exoneração de Manoelly Silva Froes do cargo de responsável pelo setor de compras do município e a nomeação de Elizelma Corrêa Pavão para a mesma função.

Estrutura atual do governo municipal
 

De acordo com as informações oficiais publicadas, a estrutura administrativa do governo municipal de Turilândia ficou definida da seguinte forma:

José Luís Araújo Diniz – Prefeito Interino Municipal
Vice-Prefeitura Municipal – em vacância

Isaque Ribeiro Aniba – Secretário Municipal de Administração e Finanças

Madai Santos – Secretária Municipal de Cultura e Turismo

Aysenegls Fonseca Rodrigues – Secretário Municipal de Educação

José Nilton Silva Pavão – Secretário Municipal de Esporte e Lazer

Walison Amaral Fróes – Secretário Municipal de Juventude, Ciência, Tecnologia e Inovação

Vilcilene Marinho – Secretária Municipal da Mulher

Cristina Oeiras Modesto – Secretária Municipal de Saúde e Saneamento

Celielma Melo Miranda – Secretária Municipal de Assistência Social

José Ribamar Nogueira Filho – Secretário Municipal de Infraestrutura

Luis Gonzaga Cruz Ferraz – Secretário Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos

Enquanto a investigação segue em curso e as restrições judiciais permanecem, a administração interina avança com alterações na máquina pública, mantendo Turilândia no centro de um cenário que combina instabilidade política, questionamentos jurídicos e mudanças administrativas.

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