O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), 43 anos, concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Raimundo Borges, diretor de Redação de O Imparcial, pela Rádio O Imparcial. O texto é um resumo do que ele falou. Ele abordou desde a vida pessoal, profissional e política, assim como a pré-candidato a governador em 2026. “Sou fruto da gestão do governo Flávio Dino. Aprendi política ali. Minha primeira candidatura foi a vice-governador”.
O IMPARCIAL – Que legado é era esse?
Felipe Camarão – “O Legado são as Escolas Dignas, poços artesianos, quadras, bibliotecas, Escola de Tempo Integral, IEMAs. Era o Maranhão de verdade. As escolas Dignas mudaram radicalmente a estrutura educacional do ensino fundamental nos municípios. Foram 1.500 obras educacionais enquanto estava na Secretaria de Educação. Só construção do zero, foram 400 escolas, incluindo as de tempo integral que não havia nenhuma. Fizemos a criação da UEMASUL. Hoje são 200 de tempo integral”.
“Felipe Camarão não é pré-candidato de um acordo”
Como foi o rompimento de Weverton em 2022?
Dino fez isso até o último minuto para unificar o time. E com a unificação, o vice seria indicado, obviamente, pelo senador Weverton. Mas ele não quis fazer nenhum tipo de acordo, preferiu ser candidato contra o nosso time, apoiando o Roberto Rocha contra o Flávio Dino. E foi aí que eu entrei como vice. Fui escolhido pelo meu partido, indicado pelo Flávio, Brandão aceitou e o PT foi compor a chapa, indicando o vice-governador: o meu nome.
E sua candidatura em 2026?
“Felipe Camarão não é pré-candidato de um acordo. É candidato a governador de um projeto. Foi feito o acordo? Foi. Mas não é só isso que move a minha pré-candidatura. Eu não serei pré-candidato só porque houve um acordo que está sendo, até agora, descumprido. Será a primeira oportunidade que o PT vai ter de governar o Estado do Maranhão.
“O PT tem 45 anos de existência. Nunca governou o Maranhão. E aí o pessoal fica falando assim ah, porque o Maranhão é da esquerda. Mas o primeiro governo que teve de esquerda foi o do Flávio. O do Jackson Lago foi dois anos e pouquinho. Então, a esquerda efetivamente só teve oportunidade com o Jackson brevemente e depois com o Flávio. O PT só teve dois vice-governadores: o Washington Oliveira, de Roseana, e agora, eu. Eu sou fruto de um projeto político. É desse legado que eu te disse. Eu entrei na política para defender um legado.
Vocês nunca conversaram sobre 2026? Você e o governador?
Não. Nunca conversamos. O Brandão não fala comigo há meses, nem por mensagem. Quando viaja ao exterior, não fala comigo. Manda recado pela secretária-chefe de gabinete. Sempre fui muito leal e correto. Durante este período em que eu sou vice-governador (vou completar agora há quase três, assumi o governo por 69 dias, mas nunca pratiquei um ato meu ilegal inconstitucional, de traição, deslealdade.
Você vê possibilidade de um retorno, de reaproximação do grupo?
“Bom, a política é a arte do diálogo. Da minha parte eu sou absolutamente favorável a dialogar com todo mundo, muitas vezes até com aqueles que são diferentes, desde que tenhamos propósitos. O acordo político não é de pessoas, mas de projeto. Eu não renuncio em nenhuma hipótese ao meu cargo de vice-governador, porque fui eleito para este cargo.
Haveria a possibilidade de você não disputar o governo? Poderia ser um cargo majoritário, senador, vice-governador de novo…
“Posso, eu costumo brincar que eu posso me candidatar até a papa, conselheiro tutelar qualquer cargo, eu não preciso renunciar ao meu cargo de vice-governador para disputar nenhum cargo. Eu sou absolutamente contra o projeto de familismo na política. Meu projeto é o projeto do Lula”.
Com apenas dois prefeitos em municípios pequenos. E na Assembleia Legislativa, o PT é quase insignificante eleitoralmente no Maranhão. Como será essa disputa ao governo?
“Nenhum deputado estadual. Só um federal. Que é o Rubem Júnior. Então, isso aí é um bom direcionamento que você está dando para projeto político. O Maranhão nunca conseguiu ter o PT como partido grande. O Lula sempre foi muito grande. Mas o PT, não.
A sua candidatura é mantida, mas ela não é irredutível?
“A candidatura está mantida e é irreversível. Eu não sou irredutível. É na questão da pactuação. Por quê? Porque basta a gente cumprir aquilo que foi pactuado lá atrás. Construído a partir de 2014, sem um palácio, sem força de governo.
“A candidatura está mantida e é irreversível. Eu não sou irredutível. É na questão da pactuação. Por quê? Porque basta a gente cumprir aquilo que foi pactuado lá atrás. Construído a partir de 2014, sem um palácio, sem força de governo.

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