Cidades · Abastecimento precário

Problema no sistema de abastecimento deixa moradores sem água na capital

Moradores do bairro da Liberdade relatam que estão há pelo menos cinco dias sem uma gota d’água nas torneiras de casa.

Moradores da Liberdade denunciam que estão há cinco dias sem água nas torneiras
Moradores da Liberdade denunciam que estão há cinco dias sem água nas torneiras

São Luís enfrenta um rodízio de água anunciado pela Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (CAEMA) na semana passada. A medida foi adotada devido ao baixo nível do Rio Itapecuru, principal fonte de abastecimento da capital. No entanto, moradores do bairro da Liberdade relatam que estão há pelo menos cinco dias sem uma gota d’água nas torneiras de casa.

Na residência de dona Maria da Conceição, o tanque, os baldes e as torneiras vazias comprovam a situação. “Estamos enfrentando muitos transtornos, falta água até para tomar banho”, lamentou a moradora.

Foto: Reprodução

A CAEMA informou que o racionamento foi necessário por causa da redução na captação de água no Rio Itapecuru, que tem apresentado níveis críticos neste período de estiagem. Nos últimos anos, o rio vem registrando quedas acentuadas durante a seca, o que já provocou interrupções e redução na oferta de água em outras ocasiões.

Enquanto isso, o impacto também é sentido por quem depende da água para trabalhar. Ismar Amorim, que atua na revenda de água mineral, afirma que os pedidos aumentaram, mas ele também enfrenta dificuldades. “As vendas cresceram, mas sem água é complicado até para fazer a limpeza dos galões e manter o funcionamento normal”, contou.

Foto: Reprodução

Além do Itapecuru, as principais reservas que abastecem São Luís são a Reserva do Batata e os poços perfurados pela CAEMA, que também estão operando com restrições.

Em nota, a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) informa que em razão do período de estiagem e da consequente escassez hídrica que afeta a região Norte do Estado, o Sistema de Abastecimento de Água opera, neste momento, em regime de racionamento controlado com o objetivo de garantir a distribuição equilibrada entre os bairros de São Luís. O racionamento é de caráter preventivo e afeta principalmente as áreas atendidas pelo Sistema Italuís, responsável por cerca de 60% do abastecimento da capital.

O nível do Rio Itapecuru, principal manancial de captação, está atualmente em 1,5 metro, uma redução expressiva em relação ao seu nível máximo, que chegou a 6,90 metros durante o período de cheia deste ano. Essa diminuição impacta diretamente a operação tanto do Sistema Italuís quanto do Sistema Sacavém.

A Companhia adotou diversas medidas técnicas e operacionais, o abastecimento dos bairros atendidos por poços isolados está sendo mantido de forma contínua, 24 horas por dia. Em relação aos registros de intermitência no Ipase de Baixo e à demora no atendimento de carro-pipa na Rua Ângelo Augustino, no mesmo bairro, a distribuição complementar prioriza o uso racional e coletivo da água, de modo a atender toda a população. A normalização plena do sistema dependerá da retomada das chuvas no Sul e Norte do Maranhão, que permitirá a recuperação dos mananciais.

A Caema reafirma seu compromisso com a missão pública de garantir o abastecimento de água e informa que estão assegurados R$ 200 milhões em investimentos para a região metropolitana de São Luís, por meio do Novo PAC. Esses recursos serão destinados à ampliação e modernização dos sistemas de abastecimento e esgotamento sanitário do Maranhão.

A Companhia reforça o apelo à população para que adote práticas de consumo consciente, colaborando com o uso responsável da água e com o equilíbrio do abastecimento durante este período crítico. Após a normalização, podem ocorrer ajustes pontuais na distribuição.