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Denúncias sobem e feminicídios recuam no Maranhão

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, os indicadores relativos às taxas de feminicídios na Grande Ilha apresentaram redução de 42% em junho deste ano

(Imagem ilustrativa)
(Imagem ilustrativa)

A campanha Agosto Lilás, mês de conscientização e mobilização contra a violência doméstica e familiar, tem se renovado este ano no Maranhão com um misto de avanço e alerta. Instituída nacionalmente para marcar o aniversário da Lei Maria da Penha em 7 de agosto, a iniciativa ganha força local com ações institucionais, informação e dados que revelam tanto progresso quanto desafios ainda urgentes.

Segundo dados oficiais, no ano de 2024 o estado registrou um total de 17.832 atendimentos via Ligue 180 – um crescimento de 99,7% em relação aos 8.928 atendimentos de 2023. No mesmo período, as denúncias saltaram de 1.896 para 2.833, um aumento de 49,4%.

Casos de feminicídios 


No estado, foram registrados já neste ano, 33 casos de feminicídio. A última vítima dessa violência foi Dilsana de Castro Feitosa, de 45 anos, baleada dentro de casa pelo companheiro, na cidade de Porto Franco. Ela morreu no hospital um dia após ter sido baleada. O companheiro dela foi preso em flagrante, suspeito pelo crime.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, os indicadores relativos às taxas de feminicídios na Grande Ilha apresentaram redução de 42% em junho deste ano, no comparativo a junho de 2024.

O Agosto Lilás 2025 no Maranhão evidencia que a expansão de canais de denúncia e a intensificação de campanhas públicas têm impacto positivo na conscientização e registro dos casos. Ainda assim, os números de violência permanecem alarmantes. A diminuição dos feminicídios é um passo animador, mas o aumento expressivo das denúncias revela que a realidade do abuso persiste, exigindo uma atuação ainda mais proativa de políticas públicas, rede de proteção e mobilização social.

A campanha é considerada um marco anual de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres. Este ano vem com o lema “Não deixe chegar ao fim da linha – Ligue 180”, reforçando a importância da Lei “Maria da Penha”, que em 2025 completa 19 anos, como instrumento de direito e punição da violência contra a mulher.

Durante a abertura da campanha realizada pelo Ministério Público, a Coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência de Gênero (CAO Mulher),  promotora de justiça Sandra Fagundes Garcia destacou a gravidade da situação da violência contra as mulheres no Maranhão.  “Esses números não são dados frios, são vidas perdidas, famílias destruídas e mulheres que tiveram suas histórias interrompidas, em razão de um machismo estrutural que persiste na nossa sociedade”.

Fortalecimento da rede de defesa da mulher

Durante todo o mês o MPMA tem ações  voltadas para o enfrentamento da violência contra a mulher, além das que já são executadas, como implementação de grupos reflexivos para homens autores de violência, apoio à autonomia das mulheres, fortalecimento da rede de defesa da mulher em todo o Maranhão, identificação dos órfãos do feminicídio para garantia dos seus direitos e a parceria com a Polícia Militar do Maranhão para implantação e estruturação da Patrulha Maria da Penha.

Na semana de 18 a 22 de agosto, a 2ª Vara da Mulher de São Luís realizará audiências destinadas ao acolhimento de cerca de 80 mulheres amparadas por Medidas Protetivas de Urgência decretadas em prevenção a possível agressão pelos seus companheiros denunciados à Justiça.

As audiências de acolhimento deverão ser realizadas com intervalo mínimo de 20 minutos entre cada sessão. Antes, as mulheres receberão atendimento prévio pela equipe multidisciplinar da unidade.

O mutirão de acolhimento de mulheres vítimas de violência de gênero visa proporcionar escuta qualificada, orientação jurídica e integração com a rede de proteção.

A campanha realizada pelo Governo do Estado pretende o feminicídio zero, uma realidade possível somente com a união entre poder público, sociedade civil e famílias.

Kazumi Tanaka, coordenadora das Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher, destacou que “datas emblemáticas como esta são essenciais para alertar as mulheres sobre a importância de preservar suas vidas e garantir sua sobrevivência. O desafio vai além de combater atitudes isoladas dos agressores: é necessário enfrentar uma cultura que naturaliza a violência e silencia a voz da mulher”.

Ao longo de todo o mês ações itinerantes como o “Pit Stop – Vozes Contra a Violência” irão distribuir ventarolas e mensagens de conscientização em locais de grande circulação como escolas, faculdades e avenidas. Plenárias temáticas preparatórias para a 5ª Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres (dia 20, no Residencial Recepções) irão envolver diferentes públicos — mulheres da cultura, ciganas, negras, indígenas, meninas e jovens — em cidades como São Luís, Amarante e Miranda.

A culminância da campanha acontecerá no dia 29 de agosto, na Praça Nauro Machado, com o ato Vozes Contra a Violência, com um grande encontro entre artistas, autoridades e a população para homenagear as vítimas da violência e reafirmar o compromisso com a vida das mulheres.

Transparência – Na mesma data do aniversário de 19 anos da Lei Maria da Penha (7 de agosto), o Ministério das Mulheres lançou o Painel de Dados do Ligue 180, uma plataforma interativa que permite visualizar em tempo real os atendimentos e denúncias realizados. A ferramenta destaca um panorama nacional de mais de 590 mil atendimentos e 86 mil denúncias somente em 2025, fortalecendo a transparência e a capacidade de monitoramento.

Canais de denúncia e apoio às vítimas


O Maranhão conta com 23 Delegacias da Mulher, além de delegacias comuns capacitadas para atender vítimas de violência doméstica. Em cidades sem delegacia especializada, estão sendo implantados Núcleos de Combate à Violência contra a Mulher, ampliando os espaços de acolhimento e atendimento às vítimas.

A prevenção ao feminicídio também é reforçada por meio de ações de conscientização realizadas pelo Departamento de Feminicídio, Delegacia da Mulher e Patrulha Maria da Penha.

Para denúncia


190 – Ciops (Centro Integrado de Operações de Segurança)

181 – Disque Denúncia Maranhão, Aplicativo Salve Maria Maranhão, Delegacia Online

Dados que assustam


2020 – 65

2021 – 59

2022 – 69

2023 – 50

2024 – 63

2025 – 33 – até 15.08

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