Política · eleições 2026

Corrida aos Leões acirra disputa política 

Movimentações partidárias, troca de comando no PSB e articulações entre lideranças antecipam cenário da sucessão ao governo em 2026 e redesenham mapa político local

Marcus Brandão, presidente do MDB no Maranhão falou sobre ruptura (Foto: Reprodução)
Marcus Brandão, presidente do MDB no Maranhão falou sobre ruptura (Foto: Reprodução)

A sucessão ao governo do Maranhão, prevista para as eleições de 2026, já movimenta intensamente os bastidores políticos da Ilha e expõe, de forma cada vez mais evidente, fissuras em grupos que até pouco tempo mantinham aliança sólida. 

Um vídeo divulgado pelo presidente estadual do MDB, Marcus Brandão, no último sábado, ampliou a percepção de que o rompimento entre o grupo do governador Carlos Brandão (PSB) e o núcleo liderado pelo ministro Flávio Dino é apenas questão de tempo.

No pronunciamento, Marcus foi direto ao apontar a “inevitabilidade” dessa ruptura, atribuindo-a à postura recente do vice-governador Felipe Camarão (PT), hoje pré-candidato declarado à sucessão. 

Mais do que um desabafo, o emedebista fez graves acusações, denunciando “ameaças e torturas psicológicas” contra o governador e aliados. “Eleição se faz com votos. Votos resultam do que se faz de avanços e melhoria da qualidade de vida das pessoas. Golpes, jamais”, frisou, defendendo que a disputa eleitoral deve ser resolvida pelo voto popular e não por pressões de bastidor.

Mudanças partidárias e reconfiguração  política

A fala repercutiu rapidamente. A presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB), reagiu com mensagem de apoio: “Deus está no comando de nossas vidas! O povo do Maranhão aprova e conhece nosso governador. Seguiremos firmes como nosso governador!”. O secretário de Assuntos Municipalistas e filho de Marcus, Orleans Brandão, também reforçou o tom de resiliência: “Seguimos firmes, de cabeça erguida e com a consciência tranquila de que estamos no caminho certo”.
O clima de tensão foi parar no plenário.

Na última quinta-feira (7), Iracema Vale comentou a manobra que, sem consulta à base governista, levou à mudança no comando estadual do PSB. “Partido se faz é com gente, com político e com voto”, disse, garantindo que o grupo governista tem força para se reorganizar. Com recado aos opositores internos, resumiu: “O que não nos mata, nos fortalece”.

Iracema Vale (Foto: Divulgação)

A própria mudança na presidência estadual do PSB é um capítulo-chave dessa disputa. A senadora Ana Paula Lobato assumiu o comando da legenda, após seu retorno à sigla, derrotando o grupo do governador. Com a decisão, Brandão deixou o partido e deve migrar para o União Brasil ou MDB. Em entrevista a uma emissora de televisão, Ana Paula cravou que o PSB será oposição ao atual governo e defendeu alianças para derrotar “o modelo político e de gestão implantado pelo atual governador”.

Ao citar Felipe Camarão e o prefeito Eduardo Braide como peças centrais, enviou recado claro de que buscará uma frente ampla contra o Palácio dos Leões: “Temos algo importante que nos une: a referência no legado político e administrativo deixado pelo ex-governador Flávio Dino”.

Nos bastidores, a avaliação é de que a crise que hoje se desenha tem raízes em disputas de 2022, quando o arranjo que levou Brandão ao governo foi montado para manter o grupo unido sob a liderança de Dino. Dois anos depois, a unidade já não resiste às ambições pela cadeira mais alta do estado.

O vice-governador Felipe Camarão, que está em pré-campanha por apoios no campo progressista tanto estadual quanto nacional, não apenas mantém o nome como pré-candidato, mas já se move abertamente para compor uma chapa competitiva. Na semana, revelou ter convidado o prefeito Eduardo Braide (PSD) para ser seu vice e ter dialogado com a ex-governadora Roseana Sarney em busca de apoio — movimentos que ampliam o espectro político de sua candidatura.

O cenário que se forma é de múltiplas frentes: de um lado, Brandão e aliados tentam consolidar uma base própria, possivelmente em nova legenda; de outro, Camarão e o PSB sob o comando de Ana Paula Lobato articulam alianças que passam pela capital e pelo interior, mirando apoio popular e político. A disputa é potencializada por figuras de peso como Roseana Sarney (MDB) e Eduardo Braide, que se tornam peças cobiçadas no xadrez eleitoral.

Ao contrário de eleições passadas, a corrida para 2026 no Maranhão começa com quase dois anos de antecedência, marcada por mudanças partidárias, troca de acusações e reconfiguração de blocos políticos. Para analistas, o grau de antecipação e a intensidade das movimentações revelam que a disputa pelo Palácio dos Leões não será apenas entre projetos de governo, mas também uma batalha pela sobrevivência política de grupos que dominaram a cena maranhense nas últimas décadas.

Felipe Camarão (PT) (Foto: Divulgação)

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